Convocado o 55º Conune, um balanço do 65º Coneg da UNE

Daison Colzani
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De 17 a 19 de março, aconteceu o 65º Conselho das Entidades Gerais da União Nacional dos Estudantes, em São Paulo/SP. O evento que tem como principal tarefa a convocação do Congresso da UNE, infelizmente confirmou o que já esperávamos: colocou em marcha a campanha “Lula 2018”. 

Na sexta, a abertura do Coneg se deu com a discussão da Reforma da Previdência e Reforma Trabalhista. Considerando que esse deveria ser o centro da discussão, faltou a sensibilidade, para não dizer disposição, da organização em colocar o debate para sábado, quando a maioria dos delegados já estaria presente. O resultado foi um debate sem uma parte considerável dos delegados. Certamente não é uma surpresa, pois a disposição da majoritária nunca foi a de incentivar as discussões.

No sábado aconteceu a mesa sobre o impacto da PEC 55 (congelamento dos gastos públicos por 20 anos) no cumprimento das metas do PNE e na parte da tarde os GT´s para debates. Uma ironia a UNE propor uma discussão sobre o cumprimento das metas do PNE, uma vez que a majoritária, profundamente ligada aos Governos Lula-Dilma, foi coresponsável pela burocratização da discussão do PNE e pelo não cumprimento da maioria de suas metas. 

No domingo foi realizada a plenária final, onde seriam votadas resoluções de conjuntura e educação, regimento do congresso, moções e uma carta de convocação de um dia nacional de luta contra a reforma da previdência. Na votação das resoluções, foi reforçado o que tem acontecido durante todo o mandato da atual gestão da UNE, o Campo Popular (Levante e outros) se tornou uma extensão do campo majoritário (UJS/Kizomba). Apresentaram e defenderam juntos as duas resoluções e seguem como a ponta de lança na entidade para a construção da campanha de Lula. A Oposição de Esquerda, campo que a Liberdade e Luta compõe e constrói, segue sendo a único pólo de luta dentro da entidade, combatendo o debate pelas vias eleitorais, defendendo a construção do movimento estudantil nas universidades, pela base. A UNE não pode permanecer restrita a uma minoria dos estudantes universitários que, por sua vez, fazem parte de uma minoria entre os jovens. Ou seja, a UNE, que jogou importante papel nos rumos do país,hoje está completamente alheia.Não fosse o monopólio das carteirinhas,uma parcela ainda menor de estudantes saberia o que é a UNE.

Lamentavelmente, a UNE avança a passos lentos para se tornar uma entidade presente na vida da juventude. Esse distanciamento é fruto da política de aparelhamento da entidade ao campo majoritário e ao seu partido, o PCdoB. Para modificar isso, seguimos na batalha para que a UNE retome a luta por suas bandeiras históricas, em especial a carta de princípios aprovada no congresso de refundação da entidade em 79. É fundamental que a UNE retome a luta por educação pública, gratuita e para todos, que se some e construa a luta contra as reformas da previdência e trabalhista. É sob esses eixos que lançaremos nossa pré-tese ao 55º Congresso da UNE. Convidamos cada estudante para debater conosco a pré-tese, ajudar na construção de delegações ao CONUNE e fazer um amplo debate sobre os rumos da entidade. A UNE é dos estudantes e deve estar a nosso serviço nas lutas, nas universidades e nas ruas de todo o Brasil.

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