Por que eu luto: temos um mundo a conquistar

Anthony Oakland - Marxist Student Federation*

demonstration-1882229_1920.jpgAs coisas têm ficado pior. Estudantes estão se sobrecarregando com dívidas e o resultado é uma saúde mental deteriorada. Ao mesmo tempo, o NHS[1] sofre ataques e não consegue mais cuidar de uma população doente. Tudo indica que os únicos trabalhos disponíveis para os jovens são por contratos iformais ou casuais como Uber e Deliveroo. Os ricos estão levando o mundo à ruína enquanto acumulam suas riquezas em paraísos fiscais. Todo mundo sabe disso. Alguns mais conscientes que outros, mas há um consenso na sociedade: as coisas estão ficando piores e só vai continuar.

Mas não tem que ser assim. Eu estudo física. Estou muito contente com a escolha que fiz; todos os dias aprendo algo fascinante ou inesperado. Mas a lição mais importante que a física me trouxe é que não somos escravos da natureza. Possivelmente a lei natural mais básica que já descobrimos é essa, numa escala universal, as coisas ficam mais desordenadas à medida que o tempo passa. Mas há muito tempo aprendemos que, se entendermos exatamente como e por que a natureza age, nós, como seres conscientes, podemos impor nossa vontade e construir a ordem do caos. A natureza não nos levou a ter antibióticos, comunicação entre continentes distantes ou saborear um sorvete num dia quente de verão, mas aqui estamos, fazendo tudo isso. A história da humanidade se resume à descoberta de novas maneiras de moldar o mundo que nos foi dado. Entendendo o mundo ao nosso redor, podemos construir nosso destino.

As coisas vão melhorar. Marx, 200 anos atrás, descreveu as leis do desenvolvimento humano e o Marxismo nos deu o poder de finalmente tomar total controle do nosso futuro. A humanidade veio de um longo caminho desde as cavernas, quando tudo começou. Não faz sentido que nossa espécie, tendo construído um mundo melhor ao entender e conquistar a natureza, não tenha condições de construir uma sociedade digna para todos. Nós podemos viver num mundo onde nossas necessidades são supridas sem desgaste, onde cooperamos pra atingir conquistas magníficas de tecnologia para o benefício de todos, onde somos livres para sermos a melhor versão de nós mesmos.

Eu vim de um contexto muito privilegiado. A crise econômica de 2008 me foi um fenômeno que observei com curiosidade, não como uma mudança de vida cataclísmica que me afetaria. Mesmo assim, saí dela um pouco mais politizado. Eu tinha 12 anos na época, isso foi dois anos antes da minha primeira leitura do Manifesto Comunista, quando não entendi muita coisa. De qualquer forma, Marxismo era apenas uma teoria, sem muito impacto na minha vida.

Isto é, até eu vir pra Londres. Aqui, as contradições do capitalismo são agravadas a uma dimensão dolorosa: hotéis de luxo no centro da cidade com moradores de rua dormindo nas escadas; banqueiros que fazem suas vidas saqueando os trabalhadores, ao lado de freelancers que entregam seus almoços caros; torres reluzentes de grandes corporações a algumas centenas de metros do mundo real que a mídia ignora. Em pouco tempo, comecei a entender como as teorias de Marx e Engels explicavam a dura realidade. Mas lendo os trabalhos desses e de outros grandes pensadores e Marxistas no decorrer dos séculos, comecei  também a entender a beleza, a liberdade e as possibilidades de outro mundo que está ao nosso alcance.

O Marxismo nos garante um mundo onde a vida é justa e abundante, não é o capitalismo que faz isso. Garante um mundo onde a humanidade está em paz consigo mesma e com o mundo que criou, um mundo livre da miséria. Só é preciso que compartilhemos os meios de produção, então poderemos planificar racionalmente a economia e satisfazer as necessidades de todos, e não o lucro de poucos. Temos um mundo pra ganhar, e que mundo!

[1] Serviço Nacional de Saúde da Inglaterra (National Health Service).

 

Tradução de Marcelo Pancher do artigo publicano originalmente no site www.marxiststudent.com com o título "Why I Fight: we have a world to win".

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