Manifesto do Partido Comunista - Karl Marx e Friedrich Engels

Jonathan Vitório
Marx e Engels - Divulgação

Escrito na Europa, em 1847, pelos jovens militantes Karl Marx, que naquele período tinha 29 anos, e Friedrich Engels, com 27 anos, o Manifesto do Partido Comunista é um precioso instrumento. Sem dúvida, é um dos mais influentes documentos da história do pensamento humano.

Mesmo que 170 anos tenham se passado, as ideias ali registradas conquistam a mente de jovens e trabalhadores de todos os cantos do mundo até os dias de hoje.

O texto nos explica a concepção materialista da história, a base do marxismo, mostra-nos que o sistema capitalista já não é mais compatível com a sociedade e que somente a vitória do proletariado pode conduzir ao fim da sociedade de classes.

A Liberdade e Luta quer que todos os jovens conheçam o Manifesto do Partido Comunista, pois, quando conhecemos a história, passamos a acreditar que é possível mudá-la. O Manifesto nos dá certeza disso, sua leitura é indispensável.

Na época em que foi escrito, o mundo vivia um período de ebulição, revoluções tomavam conta da Europa e o comunismo tinha seu nome difamado por todas as potências mais reacionárias. Do Papa aos mais variados estadistas, o comunismo era destroçado. Justamente por isso, os jovens Karl Marx e Friedrich Engels foram impulsionados a escrever o Manifesto do Partido Comunista.
 

Capa original do Manifesto COmunista
Capa original do Manifesto Comunista | Divulgação

 

O Manifesto é curto, mas seu conteúdo é tão extenso que cada vez que é lido parece um livro novo. Não faremos a discussão profunda de cada subtítulo, isso nos custaria um texto extenso. A ideia aqui é de alguma forma despertar o desejo por esta riqueza de documento.

O primeiro título chama-se “BURGUESES E PROLETÁRIOS”, o objetivo de Marx e Engels aqui é explicar a ascensão da burguesia. Inicialmente, a burguesia teve um papel importante para o desenvolvimento da sociedade e dos meios de produção, pois, quando tomou o poder, rompeu com os laços do feudalismo existentes até aquele momento, explorou todos os cantos do mundo, deu saltos tecnológicos, expandiu os centros urbanos e abriu o grande mercado, ou seja, elevou a humanidade a outro patamar. Mas, concentrou toda a riqueza em poucas mãos. Em resumo, a burguesia criou um mundo à sua imagem e semelhança.
No entanto, apesar de ter criado este novo mundo para si, também construiu uma estrutura que se volta contra ela mesma. Neste novo sistema socioeconômico, a divisão de classes ainda continua existente, pois toda a riqueza foi concentrada. Com isso, o novo sistema criou o proletariado, que são os trabalhadores que manuseiam as máquinas da burguesia e são explorados todos os dias por alguém que retém toda a riqueza produzida por eles. Para a burguesia, os operários são como uma mercadoria que se compra para utilizar para o bem próprio, pois sua função é produzir mais e mais. Cedo ou tarde, o proletariado, fruto do sistema, será a grande arma contra o próprio sistema.

Como Marx e Engels explicam, o capitalismo também abre brechas para que crises periódicas de superprodução aconteçam, ameaçando todo o sistema. Assim, o Manifesto nos mostra que há mais de 170 anos Marx e Engels já previam o tipo de crise que vivemos hoje.

O segundo título é “PROLETÁRIOS E COMUNISTAS”. Nessa parte, Marx e Engels explicam o papel dos comunistas na luta pela emancipação da classe trabalhadora e pela derrubada da burguesia.

Os comunistas não se descolam da classe trabalhadora, eles organizam-se em partidos revolucionários que darão a direção para os trabalhadores nos períodos revolucionários. Os comunistas lutam pelo fim da burguesia e pela conquista do poder político pelo proletariado. Suas ideias se baseiam na sociedade dividida em classes, onde existem os explorados e exploradores e é justamente esse caráter de classe que os comunistas querem extinguir. Além disso, os Marx e Engels fazem um combate contra as mentiras sobre o comunismo lançadas pela burguesia.

A burguesia ataca os comunistas dizendo que eles querem acabar com a pequena propriedade, adquirida por meio do trabalho individual. Os comunistas querem acabar com a propriedade, mas a propriedade dos meios de produção, burguesa, que acumula riqueza utilizando-se da força de trabalho alheio. No capitalismo a propriedade já está abolida para a grande maioria da população, enquanto uma minoria detém toda a riqueza acumulada, a maioria não possui nada. Outras difamações também são contestadas nesta parte do Manifesto. Sua leitura é indispensável para o combate das mentiras diariamente lançadas pela burguesia.

Em resumo, este tópico explica o papel dos comunistas para a emancipação da classe trabalhadora, as calúnias e difamações lançadas pela burguesia, o que representa a centralização dos meios de produção nas mãos de um Estado operário e o que representa o fim das classes e dos antagonismos de classe.

O terceiro título se chama “LITERATURA SOCIALISTA E COMUNISTA”. Aqui, Marx e Engels explicam o desenvolvimento das ideias socialistas, que socialismo passou por diversas linhas da literatura. 

Após o declínio do feudalismo, existiu o socialismo feudal, guiado pela aristocracia. Quando o povo unia-se aos socialistas feudais, logo se afastava, pois via o reflexo do feudalismo nesse “socialismo”.

O socialismo pequeno-burguês também é citado no Manifesto. A pequena burguesia é uma classe que está entre o proletariado e a burguesia, é um setor independente da sociedade moderna. Prevendo seu próprio desaparecimento com o desenvolvimento da burguesia, este setor criou o socialismo pequeno-burguês. Eles atacavam as mudanças da burguesia, mas eram reacionário e utópicos, pois defendiam as velhas relações de propriedade e a velha sociedade.

O Manifesto do Partido Comunista explica que ao longo da história da humanidade vários nomes previram os problemas do novo regime e desenvolveram filosofias importantes que contribuíram para o pensamento de Marx e Engels, tais como: Saint-Simon, Fourier, Owen, entre outros. 

O quarto e último título chama-se “POSIÇÃO DOS COMUNISTAS EM RELAÇÃO AOS VÁRIOS PARTIDOS DE OPOSIÇÃO EXISTENTES”. Neste tópico é possível entender onde estão os comunistas nos movimentos revolucionários, seja ele qual for. Marx e Engels citam vários momentos históricos em que uma classe voltava-se contra outra. Como na Alemanha, quando a burguesia travou uma luta contra a antiga monarquia absolutista. Os comunistas entendiam que aquele momento era revolucionário e que a derrubada da monarquia era necessária, mas que, após a derrubada desse regime, eles travariam uma luta contra a burguesia, pois os antagonismos de classe ainda continuariam existentes. Ou seja, como é citado no próprio manifesto: “os comunistas, em toda parte, apoiam cada movimento revolucionário contra a ordem social e política existente”.

Com a leitura do Manifesto podemos concluir que todos os problemas econômicos e sociais hoje vividos são consequências da sociedade dividida em classes. Há séculos existiram grandes pensadores que, observando que o sistema capitalista já não é mais compatível com o desenvolvimento social, deixaram obras mostrando o caminho para o futuro da humanidade. Ainda não há nada mais atual que isso. Queremos que a juventude não se apegue em frases perdidas do marxismo, mas que estude profundamente e se perca nas páginas dos clássicos desses brilhantes militantes: Marx e Engels.

A burguesia utiliza seu Estado e todos os meios de comunicação para difamar a organização dos trabalhadores e para dizer que o socialismo é impossível. Nós lutamos para que todos os jovens conheçam o marxismo, para que eles tenham consciência de que este é o único sistema que poderá mudar a vida das próximas gerações e garantir acesso às mínimas condições de existência. Queremos um sistema comunista onde, como citado por Marx e Engels, “o livre desenvolvimento de cada um é condição para o livre desenvolvimento de todos”.


 

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