Posição da Liberdade e Luta para este 2º turno

Liberdade e Luta

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Resultado eleitoral do 1º turno

Estamos a poucos dias do 2º turno das eleições presidenciais no país. Bolsonaro (PSL) aparece em primeiro lugar nas intenções de votos, seguido de Haddad (PT), em um processo marcado pela polarização – símbolo da atual situação política mundial e não poderia ser diferente no Brasil.

Porém, engana-se quem acha que o “Brasil está ao lado de Bolsonaro”. O resultado do 1º turno mostra que o candidato recebeu voto de 33% dos 147 milhões de eleitores. Haddad teve apoio de 21% dos eleitores. Do total de votantes, 27,32% (mais de 40 milhões) decidiu não votar em nenhum candidato. Ou seja, pouco mais de 1/3 dos eleitores votou no Bolsonaro, causando uma falsa impressão de que o candidato reacionário tem a maioria da população ao seu lado por conta do atual sistema eleitoral.

O PSL de Bolsonaro passou de um a 52 deputados eleitos e o Psol de seis para 10 deputados.

Apesar desse crescimento do Psol, seu resultado eleitoral para presidente foi o pior desde sua fundação e Boulos não chegou nem a 1% de votos. Isso se deve em parte a política que a direção do partido e a candidatura de Boulos defendeu, que foi à sombra do PT e não se mostrou como uma real alternativa revolucionária.

Ao mesmo tempo, o PSDB sofreu uma derrota histórica para presidência e praticamente sumiu eleitoralmente. E o discurso de “centro”, “moderado” da Marina Silva foi apagado nessas eleições, o que mais uma vez reforça a intensificação da polarização social e que as massas buscam saídas drásticas frente à crise do sistema e suas instituições que desmontam diante de nossos olhos.

O que Bolsonaro representa?

É nessa situação que nasce e cresce o apoio ao candidato Bolsonaro frente à candidatura do PT. Longe de significar uma “onda conservadora” como propagandeiam a mídia, a burguesia e algumas organizações ditas de esquerda, esse apoio tem relação direta com a despolitização e confusão causada pela direção do PT durante anos de governo e de suas sucessivas traições à classe trabalhadora. Trotsky, dirigente da Revolução Russa, na reorganização pela construção da 4º Internacional após a degeneração de Stalin, já dizia que a “crise atual da humanidade é a crise da direção do proletariado”, perfeitamente cabível na atual situação do Brasil e internacionalmente.

O “Fenômeno Bolsonaro” não é exclusividade do Brasil, apesar de diferentes, Le Pen na França e Trump nos EUA possuem algumas semelhanças. Ao mesmo, mais à esquerda, temos Melechon na França, Corbyn na Inlgaterra e Podemos na Espanha (apesar da direção reformista), mostrando uma busca pela reorganização independente de classe e a marca da polarização social pelo mundo.

Muitos trabalhadores e os setores mais pobres veem Bolsonaro como um candidato “diferente”, alguém de fora do sistema, e, portanto, nutrem ilusões na figura e na política dele. Isso não deve ser encarado como crescimento do conservadorismo ou que todos os seus eleitores são fascistas, machistas, homofóbicos e racistas. Por isso devemos explicar que Bolsonaro representa uma política de ataques a classe trabalhadora e a juventude, que ele votou a favor da aprovação das Leis Trabalhistas, é a favor da Reforma da Previdência e vai acabar com todos os serviços públicos.

É certo que no meio dos eleitores de Bolsonaro há apoio de alguns setores da burguesia e pequena-burguesia que viu seu nível de vida decair e quer pagar menos impostos para sua(s) empresa(s). Há ainda os grupelhos e indivíduos proto-fascistas, minoritários, apoiadores do Bolsonaro que se sentem à vontade para assassinar e atacar os opositores. Mas isso não significa uma iminência fascista ou mesmo de ditadura militar.

O fascismo tem como característica ser um movimento espontâneo e com apoio de massas (sobretudo com apoio da pequena-burguesia, lumpemproletariados e inclusive proletários), que visa liquidar, exterminar todos os “elementos da democracia proletária na sociedade burguesa”. Ou seja, isso implica exterminar e impossibilitar todos os partidos e organizações operárias, mesmo as reformistas e conciliadoras. Não é o que está acontecendo. Hoje não há um partido de massas ultrarreacionário, nem Bolsonaro dirige um partido de massas reacionário. Contudo, não está descartado que isso possa acontecer.

Além disso, diferente do que ocorreu na Ditadura Militar no Brasil em 1964, o Imperialismo (EUA) hoje não apoia uma intervenção militar no país nesse momento e vê com desconfiança uma possível vitória de Bolsonaro, porque sabe que isso vai acirrar a luta de classes e despertar mais ódio e insatisfação ao sistema, tudo o que eles mais temem.

O apoio a Bolsonaro é uma expressão distorcida do ódio ao sistema e de suas instituições. É um sentimento antisistêmico que Bolsonaro soube aproveitar de modo reacionário, ao contrário do Haddad, que cada vez mais se coloca como um candidato “do sistema” e busca ampliar seu apoio com setores e partidos supostamente “democráticos” que as massas já rejeitaram (PSDB, PDT, PSB etc.), mudando a cor da campanha para verde e amarelo.

É a velha política da conciliação de classes que a direção do PT deveria abandonar se não quiser ter uma derrota eleitoral e buscar ganhar apoio e votos entre os indecisos e aos que querem votar nulo, se mostrando como um governo dos “pobres contra os ricos”. Ou seja, manter uma independência de classe frente a insatisfação da população aos velhos partidos do sistema e a rejeição ao Bolsonaro, como foi visto no dia 29 de setembro nos atos contra Bolsonaro que foram evidentemente maiores do que os atos pró-Bolsonaro.  

Quais as tarefas?

saac.jpgHá uma saída para a situação, apesar do desânimo erroneamente disseminado.

A Liberdade e Luta chama todos os apoiadores e os que são contra a política ultrarreacionária e o lixo humano que Bolsonaro representa a votarem em Haddad no 2º turno para barrar eleitoralmente Bolsonaro, sem ilusões na política de conciliação de classes do Partido dos Trabalhadores. Lembremos que foi no governo Dilma que a Reforma do Ensino Médio foi gestada, embora Temer a tenha aprovado.

Se eleito, o governo do PT de Haddad terá de ceder se não quiser confrontar com sua base ao começar a aplicar a política de ataques e contrarreformas, o que permite um fôlego para a juventude e a classe trabalhadora se reorganizar, mantendo a independência de classe, para os próximos combates que virão. Situação que será bem mais difícil em um governo de Bolsonaro.

Com Bolsonaro no governo serão intensos os ataques e repressão à classe trabalhadora, a juventude e aos movimentos sociais no geral. Mas ao mesmo tempo, a luta de classes se intensificará e esse governo terá de enfrentar uma profunda insatisfação e mobilizações contrárias ao governo. Os atos “Mulheres contra Bolsonaro” foram uma pequena amostra.

Chamamos pela frente única antifascista proletária, a unidade dos trabalhadores e da juventude com métodos proletários de luta e com suas reivindicações. O melhor exemplo é a Frente Única Antifascista de 1934, que provocou a “Revoada das galinhas verdes”, a dispersão e a liquidação das organizações integralistas, os fascistas no Brasil.

Essa é a resposta à altura após a declaração proto-fascista de Bolsonaro no domingo (21/10) na Paulista que os “marginais vermelhos serão banidos do país”. Nenhuma ilusão ao TSE para uma “responsabilização judicial”, nem às instituições burguesas falidas e podres. Lembremos que a “Lei Antiterrorista”, que criminaliza ativistas e movimentos sociais, foi aprovada também no governo Dilma, em pleno “Estado Democrático de Direito”.

A hora agora é da revolução proletária. A hora da democracia já passou há muito tempo. O PT renunciou à democracia quando decidiu governar para uma minoria rica e enganou os mais pobres distribuindo programas assistencialistas.

A luta deve ser pela aliança operária-estudantil, pela reorganização nos grêmios, Centros Acadêmicos (CA), Diretórios Centrais Estudantis (DCE), junto com os sindicatos pelas nossas reivindicações mais imediatas (emprego, saúde, educação). Pela revogação da Reforma do Ensino Médio, pela linha de organização da operária e juvenil na perspectiva de se construir um partido independente e da classe trabalhadora e pela transformação radical da sociedade que só a revolução socialista pode proporcionar.

Bolsonaro Não! Quero emprego, saúde e educação!

Socialismo ou Barbárie!

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