Suspensão do vestibular de inverno na Unesp e a nossa luta pelo FIM do vestibular!

Mayara Colzani

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No dia 12 de fevereiro, os estudantes de todo o país foram surpreendidos com a notícia de que o vestibular do meio do ano da Unesp foi suspenso. A justificativa é de que houve prejuízo de R$ 1 milhão nos últimos cinco anos com as provas dos vestibulares anteriores e a baixa oferta de vagas não justificaria a oferta de um processo seletivo extra no meio do ano. Outro argumento apresentado é de que a universidade teria negociado a antecipação de R$ 130 milhões de repasses do governo estadual para garantir as provas anteriores e agora se encontra em uma das piores situações financeiras entre as universidades paulistas. A Unesp apresenta um déficit orçamentário que ultrapassa R$ 245 milhões e um atraso de quase dois meses do pagamento do 13° salário. Ou seja, quem paga a conta mais uma vez é o trabalhador. Essa é mais uma das formas pelas quais o governo tenta economizar. Enquanto o governo atrasa o salário de quem trabalha e limita que estudantes tenham acesso à educação pública.

O CAPITALISMO FALHOU

Em tempos de crise, o número de jovens que podem cursar uma universidade decai cada vez mais e muitos não podem pagar pela inscrição da prova para tentar um acesso, que não é garantido justamente porque o vestibular funciona como um funil, no qual menos da metade garante uma vaga e a imensa maioria fica de fora.

A crise deste sistema está atingindo outro nível, que ameaça derrubar toda a ordem mundial existente. Dez anos após o colapso financeiro de 2008, a burguesia está longe de resolver a crise econômica. Esses sinais estão cada vez mais evidentes quando nos deparamos com os últimos acontecimentos ao redor do mundo, como a greve de 200 milhões na Índia, os coletes amarelos na França, onde os trabalhadores não toleram nenhum tipo de retrocesso, e até mesmo no coração do capitalismo, onde professores de Los Angeles entraram em greve e servidores federais não aceitam a construção do muro que Trump quer tentar construir a todo o custo.

No Brasil a crise está mais explícita, seja em Brumadinho, seja no desmonte do serviço público, e isso fica cada dia mais compreensível ao povo trabalhador e à juventude.

A nossa luta é pelo fim do vestibular, mas não dessa forma, porque assim é só mais um corte de direitos que temos. A nossa bandeira é pela educação pública gratuita e para todos em todos os níveis. Assim como em diversos países da Europa, ou em Cuba, onde não há vestibular, no Brasil isso também é possível. Porém, isso não está na ordem do dia dos governos, muito menos agora em tempos de Bolsonaro, em que temos um ministro da educação que afirmou que a universidade deve ser reservada a uma elite intelectual.

A nossa luta pelo fim do vestibular está conectada com a educação pública e para todos. Queremos todos os jovens dentro da universidade com todos os recursos disponíveis. Mas também lutaremos contra qualquer tipo de retrocesso que deixe os jovens cada vez mais sem alternativas. Precisamos nos organizar contra os ataques que são preparados e nos apresentados como uma simples notícia.

A história nos ensina que todos os avanços possíveis conquistados pela humanidade se deram através de organização, combates e revoluções. Nossa tarefa hoje é organizar a juventude e os trabalhadores para tomar em nossas mãos o que é nosso.

Junte-se a nós, venha para a Liberdade e Luta!

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