Olavo de Carvalho, o Rasputim da Família Bolsonaro 

Mateus Wachter

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Este artigo foi publicado originalmente na página de juventude do jornal Foice&Martelo, caso você queira ler todo o conteúdo do jornal, clique aqui para assinar

Passados quatro meses de governo Bolsonaro, muitas das mais diversas polêmicas, fruto da linha política e do amadorismo do atual mandato, foram surgindo. Começando pela escolha dos ministros, pronunciamentos
bizarros e até publicações em redes sociais, tão bizarras quanto, vide “Golden Shower”. É fato que a cada dia que se passa, fica cada vez mais evidente o despreparo e falta de seriedade desse governo, dirigido pela família Bolsonaro e cheia de “personalidades” polêmicas, sendo que dentre estas, uma se destaca por conta, não só de ser responsável pela indicação de dois ministros, mas por ser reconhecido como o guru da família do presidente, Olavo de Carvalho, uma espécie de “Rasputin” dos bolsonaro’s.

Grigori Rasputin foi um monge da Igreja Ortodoxa Russa, que viveu entre 1869 e 1916 que, em meados de 1906, após chamar a atenção da alta sociedade e dos líderes de sua igreja, começou a exercer a função de
curandeiro do Czar e de seu filho Alexei, que era hemofílico. Aparentemente, ao final de 1906, Rasputin conseguiu salvar a vida de Alexei, ganhando Status, ao menos dentro da família do Czar, de homem santo e, a partir deste fato, passou a exercer grande influência sobre a família e, consequentemente, sobre a política Russa. Seu domínio durou pouco mais de nove anos, terminando com sua morte em 1916.
Rasputin era uma figura conhecido não só pelo domínio que tinha sobre a família do Czar, mas também como um bêbado depravado. Como figura política, Rasputin tinha um papel extremamente importante, no que diz respeito
ao reinado do Czar, uma vez que dotado de uma confiança praticamente cega, influia nas decisões políticas e nas nomeações. Rasputin, inclusive, se aproveitava de sua posição para colocar pessoas como ele, membros da Igreja
Ortodoxa Russa e outros de sua confiança, em cargos de poder no reinado do Czar, tal como fez Olavo de Carvalho ao indicar o ex-ministro da educação e o atual ministro das relações exteriores. O seu limite, é claro, era o domínio do imperialismo sobre a Rússia. Rasputin era contra a guerra com a Alemanha, mas a decisão atendeu aos interesses do capital inglês e frances, mostrando a verdadeira força por tras do trono do Czar.

Se bem observados, notamos uma imensa semelhança entre as duas figuras, dois charlatões. Um que se autoproclamava homem santo, e que no final das contas acabou sendo morto pela nobreza, e outro que se diz
filósofo sem estudar um mínimo de filosofia e sem compreender que a filosofia não é achismo e sim uma ciência também Olavo de Carvalho, pessoa caricata e extremamente atrasada, é um dos homens mais influentes do atual governo (apesar de não compô-lo), chegando a adquirir status de guru, ou conselheiro, da família Bolsonaro, tal
como foi Rasputin para o Czar e sua esposa. Assim como o monge louco, a ‘notoriedade’ de Olavo de Carvalho vai além de sua influência sobre o presidente, sendo este, autor de diversas opiniões, que desprezam o que a
ciência produziu até aqui e que ainda não foi comprovado o seu contrário, como as suas opiniões sobre Darwim e Einsten, por exemplo, afirmando, em relação ao primeiro, que o evolucionismo é “um dos produtos mais toscos e
confusos que já emergiram da cabeça humana”, uma opinião barata e que só demonstra o cunho ideológico atrasado e anti-científico desde governo. Se não bastasse tentar opor, com suas barbaridades, ideias no campo da biologia, Olavo vai ainda mais longe, ao entrar no campo da física. No ápice de incipiência, afirmar que Einstein inventou a teoria da relatividade para não ter que admitir que a terra é imóvel, mesmo que ao decorrer dos anos cada vez mais provas, da teoria de Einstein, são descobertas, tal como o buraco negro fotografado recentemente. Ou seja, Olavo de carvalho, na tentativa de refutar essas e muitas outras teorias científicas, sempre acaba tropeçando na própria ignorância. É um louco dando soco em uma parede de titânio achando que vai parti-la ao meio.

Apesar de Olavo, bem como foi Bolsonaro, aparecer como algo “novo”, é preciso estudar e buscar entender que estes, na verdade, representam tudo que há de mais atrasado nesse sistema podre, e é por essa razão que eles buscam aqueles que ainda não tem uma posição, para confundi-los e convencê-los em suas mentiras. Eles propagam teorias da conspiração, tal como faz com a do Marxismo Cultural, tese essa que, basicamente, baseia-se na premissa de que existe uma dominação da esquerda dentro dos aparatos e instituições do Sistema Capitalista, algo tão bizarro como dizer que os banqueiros são comunistas, como o fez um de seus seguidores, o novo Ministro da Educação. 

Olavo de Carvalho não passa de um aproveitador barato, que vende sua “filosofia” através da de “cursos on-line” e até pede “esmolas” para sustentar sua vida pequeno-burguesa nos EUA. Assim como Rasputin, deu “sorte” de ser “adotado” pela “família Bolsonaro” e assim hoje se sustenta. As duas figuras, Rasputin e Carvalho, representam o que de mais atrasado o sistema pode produzir. Mas, enquanto Rasputin representava a imensa Russia rural e supersticiosa que estava sendo derrubada pelo avanço do capitalismo, Carvalho representa o fim da possibilidade de qualquer avanço, economico ou teorico, do capitalismo. Para se libertar e avançar, para que a ciência possa
novamente representar a luz que ilumina a escuridão, o capitalismo deve ser derrubado e abrir caminho para o socialismo.

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