Contra a militarização das escolas públicas! Fora Bolsonaro!

Mell Figueiredo Pecóis

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                                                                    Imagem: Rede Brasil Atual

Este artigo foi publicado originalmente na página de juventude do jornal Foice&Martelo, caso você queira ler todo o conteúdo do jornal, clique aqui para assinar

O governo federal anunciou no início de setembro a ampliação da parceria entre o MEC e o Ministério da Defesa para a expansão do projeto de militarização das escolas públicas em todo o país. O modelo já foi implantado em mais de 70 escolas em 14 estados brasileiros, e funciona basicamente com a Polícia Militar na gestão, ocupando cargos da direção e coordenação, enquanto os professores cuidam da parte didática. A ideia agora é fazer com que 216 unidades no Brasil se encaixem nesse modelo, segundo esse anúncio do ultimo mês.

O lançamento do programa das “escolas cívico-militares”, assim chamadas pelo MEC, prometeu o investimento de R$ 54 milhões para o ano que vem, mas segundo informações do jornal O Globo obtidas pela Lei de Acesso à Informação, esse dinheiro vem para pagar apenas os militares que serão inseridos nas escolas e não para a estrutura das mesmas. Bolsonaro deixou claro que quer impor o modelo e o argumento usado para sua articulação é de que a educação pública vai mal (em comparação com as escolas militares que recebem três vezes mais recurso), de que a violência e o tráfico de drogas tomam as escolas, e de que os professores são doutrinadores ideológicos. E esse discurso se dá no mesmo ano em que os investimentos no ensino público são cortados em cerca de R$ 6 bilhões, prejudicando da creche às universidades. Perseguir e instaurar o medo em alunos e professores, principalmente das escolas periféricas em que a PM tem a pretensão de ser inserida, é a nova (não tão nova) versão de Escola Sem Partido desse governo.

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                              O estado de Goiás já conta com 60 escolas militarizadas / Foto: Divulgação

Em Goiás há mais de 60 escolas militarizadas e a primeira delas surgiu ainda no governo FHC. E mesmo sendo públicas, cobram mensalidades das famílias e a compra obrigatória dos uniformes. A lista de “transgressões” que um estudante pode “cometer” chega a mais de cem, entre elas obviamente estão manifestações políticas.  Se havia qualquer ilusão na construção de um sistema democrático de educação no país (ou mesmo de um sistema coeso), de respeito às liberdades individuais nas instituições, de construção de pensamento crítico e senso de colaboração, mesmo no capitalismo e diante da perspectiva mercadológica em que se encontram a grande maioria de nossos projetos pedagógicos, o choque com a realidade dos iludidos será ainda mais estarrecedor.

A PM historicamente tenta inibir a organização de estudantes e trabalhadores contra esse sistema e suas contradições. Dentro das escolas essa intervenção autoritária irá tentar destruir os grêmios estudantis, o trabalho dos sindicatos de professores ou qualquer manifestação de classe. A corporação da Polícia Militar foi criada para “preservar a ordem pública” e isso lhe dá a tarefa de reprimir e atacar professores em atos políticos, criminalizar o pobre negro da periferia, enquanto defende a propriedade privada da classe dominante. Em tempos de crise do capitalismo, a luta de classes fica ainda mais evidente e o sistema tenta sobreviver de qualquer maneira, inclusive coagindo as futuras gerações dentro das escolas.

Mas a escola nunca foi livre da ideologia dos ricos. Antes mesmo dos modelos militares de escola de Bolsonaro, o capital já fincava suas garras na educação brasileira com as reformas neoliberais impostas e financiadas pelo FMI, OMC, e Banco Mundial há décadas. Dessa forma as escolas seriam fábricas de mão de obra barata e trabalhadores “flexíveis e polivalentes”, ou seja, explorados, que comporiam o exército de reserva do mercado. Não há saída para uma verdadeira educação democrática nesse sistema. 

Não seria também o caso do governo apenas “estar reafirmando sua incompetência ao não construir um melhor plano para o projeto educacional brasileiro”. A ferida é mais profunda que isso. Bolsonaro cumpre muito bem seu papel de capacho do imperialismo, cortando verbas dos serviços públicos, aprofundando o sucateamento para depois privatizar. O Future-se é outra prova de seguimento desse projeto do capital. Não deve haver a fantasia de que o ensinaremos a governar e assim a melhorar a educação apenas com as críticas a todos os seus planos de tentar jogar a crise nos ombros dos trabalhadores e seus filhos. A classe trabalhadora já resiste e luta pela sobrevivência desde o dia em que nasceu. O combate ao projeto do capitalismo para a educação tem que ser feito sob a perspectiva revolucionária e socialista.

Estamos perdendo direitos básicos conquistados com o sangue da classe. O caminho seria então voltar para as armas históricas de combate do operariado, construindo um partido revolucionário e socialista, trabalhando pela base nos sindicatos, com a juventude, divulgando a literatura marxista tanto quanto o jornal operário e independente. Lute por uma educação pública, gratuita e para todos! Lute contra o capitalismo e pelo socialismo! Pelo fim da PM! Fora Bolsonaro!

 

 

 

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