Retorno às aulas presenciais nas escolas privadas do Rio de Janeiro

Pedro Fontes
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                                                          Foto: Reprodução, TV Globo

No dia 30 de setembro, o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ) decidiu que as escolas privadas retornariam às aulas presenciais. Alega-se que os colégios privados possuem condições sanitárias de voltar às aulas, porém fecham os olhos para problemas ainda maiores.

A abertura do Rio de Janeiro demonstrou-se erroneamente planejada. Em primeiro lugar, abriram-se bares, partidas de futebol, praias e shoppings, isto é, potencializadores de transmissão do vírus. A consequência desse ato é que os estudantes, ao invés de contaminarem-se nas escolas, com o vírus em circulação, levarão o vírus para a escola (oriundos dos outros setores que já lhes transmitiram a Covid-19, antes de abrirem a área da educação).

A escola é um local propício para a expansão do vírus. Grande parte dos alunos e professores possui contato com outras pessoas no caminho para a escola. Cria-se assim, uma nova cadeia de transmissão do vírus.

Esses colégios demonstram a possibilidade de retorno com uma falsa segurança. Medir a temperatura, salas higienizadas, “face shields”, álcool em gel, distanciamento das cadeiras, salas abertas. Entretanto, a única maneira de ter conhecimento se as aulas transformaram-se em criadouros de coronavírus é com testes em massa. Isso deveria ocorrer com dois testes por mês, no mínimo, em todos (alunos, professores e funcionários). Algo que as escolas não farão! Mesmo que a escola torne-se um “laboratório de biossegurança” não evitará o contágio e circulação do vírus nos colégios.

O Sinpro-RJ, sindicato de professores das escolas privadas, demonstra a “efetividade” do retorno. “Na segunda-feira, recebemos denúncia de que 12 escolas tinham casos de Covid-19. Na sexta-feira, o número pulou para 32 escolas”.1 Em menos de um mês de abertura para as aulas presenciais, 32 escolas apresentaram casos suspeitos de Covid-19! Isso demonstra a explosão de novos casos, claramente o abatedouro da classe trabalhadora.

O sindicato recebeu, além disso, denúncias por falta de equipamento necessário para trabalhar e, pior ainda, denúncias de redes de educação ameaçando, com demissões, professores pertencentes a grupos de risco. Essa ação clareia a encruzilhada que o grande capital apresenta aos trabalhadores: ou retorna-se com a certeza de se infectar, ou ausenta-se com a certeza da demissão.

Quando o governo se apresentou favorável à volta às escolas, o Sinpro-Rio tomou a ação de entrarem em greve. Desde o dia 4 de julho, ao observar que as escolas não possuem condições sanitárias, realizaram a “Greve pela Vida”, isto é, não haverá retorno às aulas sem vacina.

Não há qualquer tipo de proteção aos alunos nem aos professores. Enquanto isso, os jornais burgueses aprovam o retorno às aulas presenciais, os quais municiam a transmissão do vírus e a morte de trabalhadores da rede de educação. O argumento utilizado é que a economia não pode parar, isto é, o lucro dos grandes capitalistas precisa ser mantido.

O capitalismo não apresenta mais ao mundo nenhuma possibilidade de futuro, estabilidade ou melhoria das condições de saúde. O sistema está completamente podre. Seus lucros determinam a abertura das veias da classe trabalhadora para a longevidade dos monopólios. Durante um período de pandemia é inadmissível a manutenção do sistema de patentes, que nega às pessoas o direito de tratarem-se das doenças (sejam elas raras ou comuns).2 Posto isso, há a fartura de um punhado de capitalistas em detrimento da miséria e da morte na maioria da população.

Como disse Leon Trotsky, “se o capitalismo é incapaz de satisfazer as reivindicações que surgem infalivelmente dos males que ele mesmo engendrou, então que morra!”. Nós, marxistas, não aceitamos a ilusão de que esse sistema possa melhorar as condições de trabalho e de vida através de reformas ou ações do governo burguês. A solução para nossa classe está em sua organização e luta pelo Fora Bolsonaro, que não realizou as medidas necessárias para controlar a pandemia, e contra os patrões, que ameaçam professores a serem despedidos.

  • Retorno às aulas só com vacina!
  • Fora Bolsonaro! Por um governo dos trabalhadores, sem patrões nem generais!

Referências

1 https://site.sinpro-rio.org.br/assembleia-de-17-10-professores-as-decidem-pela-manutencao-da-greve-pela-vida-que-ultrapassa-100-dias/

2 https://www.marxismo.org.br/programa-emergencial-para-a-crise-no-brasil/

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