Contra a reforma do ensino na Argentina. Todo apoio à luta dos estudantes!

Evandro Colzani
argentina

Mais de 30 escolas estão ocupadas na Argentina em protesto ao projeto de reforma da educação implementado pelo governo da cidade de Buenos Aires. As ocupações iniciaram no dia 29 de agosto com duas escolas importantes da capital argentina, a Escola de Belas Artes Manuel Belgrano e o Colégio Nacional de Buenos Aires. 

O projeto intitulado “Secundaria del futuro”, permite, entre outras medias, que a metade do quinto ano (o equivalente ao nosso terceiro ano do ensino médio) possa ser concluído em empresas e ONGs, por meio de estágio, eliminando assim as notas e a repetição. O governo Macri pretende criar uma reforma nacional a partir do modelo aplicado em Buenos Aires. 

A educação pública argentina vem se deteriorando ao longo dos anos. Hoje, um a cada dois estudantes não termina a escola secundária. Por mais que os índices de educação sejam historicamente mais elevados que os do Brasil, por exemplo, a educação argentina entra na esteira de cortes de investimentos impostos pela burguesia diante da crise mundial. 

Macri não resolveu nenhum dos problemas do país desde que assumiu o seu governo, mas aprofundou-os colocando em todos os postos-chave do governo executivos saídos das maiores empresas de Wall Street. Greves de diversas categorias ao longo do ano, a Greve Geral de abril, as manifestações pelo reaparecimento de Santiago Maldonado e, agora, as ocupações de escolas, são exemplos do nível da insatisfação e da disposição de luta dos jovens e dos trabalhadores.  Nas escolas, cartazes com os dizeres “Não queremos ser mão de obra barata”, “Sabemos onde está o furacão Irma, mas não sabemos onde está Santiago Maldonado”, entre outros, são colocados nos muros e portões.

O ministério da Educação de Buenos Aires tem sido intransigente desde o início do processo, se negando a receber os estudantes das escolas ocupadas e atacando publicamente o movimento. Somos inteiramente solidários aos estudantes argentinos e repudiamos não só a intransigência do governo, como a proposta de reforma que não representam melhorias para a educação pública. Os estudantes só poderão derrubar essa reforma lutando e organizando. É preciso buscar o apoio de todos os estudantes de cada escola, as ocupações não podem ser realizadas por uma pequena vanguarda. Além disso, o apoio dos pais, professores, do conjunto da sociedade é fundamental. Essa luta não é só dos estudantes, é de todos que querem defender a educação pública e gratuita. 

O mundo é meu país! Solidariedade aos estudantes argentinos!

Abaixo a reforma do ensino!

Por educação pública, gratuita e para todos! 

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