Brasil levará 100 anos para por fim a evasão escolar

João Diego Leite
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De acordo com pesquisa publicada no Jornal a Folha de São Paulo, o ritmo de expansão da escolaridade dos últimos 15 anos caminhou a passos de tartaruga. Caso não haja alguma mudança, o país levará 100 anos para universalizar o acesso ao ensino. De acordo com o jornal:

“Dados de 2015, os mais recentes disponíveis, mostram que 22% dos jovens de 15 a 17 anos estão fora da escola. O índice é similar ao registrado em 2000, quando eram 25%, segundo estudo do economista Ricardo Paes de Barros”.

As faixas etárias fora da escola revelam o grande gargalo da educação brasileira, o ensino médio. De todos os 10,3 milhões de jovens brasileiros com idade entre 15 e 17 anos registrados em 2015, cerca de 1,5 milhão nem sequer se matricularam na escola no início do ano. Outros 1,9 milhão até se inscreveram, mas abandonaram a escola antes do fim do ano ou foram reprovados.

O grande agravante para o abandono da escola é a procura de trabalho. Cerca de 60% dos jovens veem a necessidade de trabalhar como a principal causa do abandono a escola, segundo a matéria.

A atual reforma do ensino pode ampliar esse problema, pois uma das medidas proposta pelo projeto é a proibição do ensino noturno para menores de idade. Sendo assim, o aluno trabalhador menor de idade não poderá trabalhar de dia e estudar à noite. A tendência é ele abandonar a escola e terminar os estudos, caso termine, quando atingir maioridade.

A pesquisa também mostra que as políticas desempenhadas pelos governos tucanos ou petistas não surtiram efeito, pois o número de estudantes evadidos seguiu o mesmo. O país precisa de muito mais que dobrar o orçamento.

A BBC-Brasil publicou matéria que mostra o país como um dos que menos gastam com alunos do ensino fundamental e médio, segundo a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). A entidade analisa os sistemas educativos dos 35 países membros da organização, a grande maioria desenvolvidos, e de dez outras economias, como Brasil, Argentina, China e África do Sul.

De acordo com a OCDE, o Brasil tem aumentado os investimentos em educação em porcentagem do PIB. Mas aí mora um problema, pois o PIB não é estável, não representa um valor fixo. Por esse motivo a instituição vem afirmando a necessidade de aumentar os gastos por aluno do ensino fundamental e médio, considerados bem abaixo do montante considerado adequado pela organização.

De acordo com o portal:

“O Brasil gasta anualmente US$ 3,8 mil (R$ 11,7 mil) por aluno do primeiro ciclo do ensino fundamental (até o 5ª ano), informa o documento. O valor em dólar é calculado com base na Paridade do Poder de Compra (PPC) para comparação internacional. A cifra representa menos da metade da quantia média desembolsada por ano com cada estudante nessa fase escolar pelos países da OCDE, que é de US$ 8,7 mil”.

A situação não é diferente nos anos finais do ensino médio e fundamental. O Brasil gasta anualmente a mesma soma de US$ 3,8 mil por aluno desses ciclos. A média nos países da OCDE nos últimos anos do ensino fundamental e no médio é de US$ 10,5 mil por aluno, o que representa 176% a mais do que o Brasil. Como os números mostram o problema é sistêmico. A evasão escolar reflete os problemas do atual sistema capitalista. Precisamos de bons professores, de estrutura, etc., mas também de uma vida digna, em que os jovens não precisem largar a escola para poder trabalhar. A Luta por uma educação pública gratuita e para todos é a luta por uma sociedade socialista. É o fim desse sistema que garantirá nosso direito à educação.

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