A prisão de Lula e a crise do sistema

Liberdade e Luta
lula7mar

No dia 7 de março de 2018 Lula foi preso. É preciso compreender o significado desse episódio e o que ele representa em nossa luta pelo socialismo. E para isso, um resgate e uma crítica da operação Lava-Jato é necessária. Além disso, entender porque Lula se entregou nos ajuda a compreender qual a sua política e qual deve ser a nossa.

Todas as instituições entraram em profundo descrédito após Junho de 2013 e após o impeachment de Dilma Rousseff. As pessoas se enojaram com o voto dos deputados e o Congresso Nacional apareceu sem o véu de sanidade e seriedade que as pessoas imaginavam. O Executivo foi de mal a pior. Primeiro com Dilma, menos de 10% de apoio popular e Temer agora, com dificuldade de se manter nos 5% de apoio. Esse rechaço às instituições levou a uma grande crise no Estado brasileiro. É claro, não poderia ser diferente, tamanho os ataques que ambos estavam realizando.

A operação Lava-Jato surgiu com o objetivo de salvar essas instituições apodrecidas e desacreditadas. A mando da burguesia internacional, iniciou-se um processo de “faxina geral” para criar uma aparente renovação do sistema político. Porém, o que vimos com essa operação foram ataques às liberdades democráticas, com shows midiáticos, abusos, acusações e condenações sem provas que abriam caminho para o aprofundamento da criminalização aos movimentos sociais e para o papel de mandatário por parte do judiciário.

A operação Lava-Jato e o Judiciário estão em um contexto internacional de grande polarização da luta de classes. As burguesias preparam contrarreformas na educação, previdência e seguridade social; empregos e direitos trabalhistas são destruídos, levando milhares de jovens a lutarem contra o sistema capitalista e seus efeitos nefastos na perspectiva de um futuro digno. Operações semelhantes a Lava-Jato são realizadas em  37 países e contam com mais de 159 acordos internacionais de cooperação entre várias burguesias nacionais para obtenção de provas de crimes de lavagem de dinheiro. Pelo mesmo motivo operações como essa já foram executadas em outros períodos históricos como a operação Mãos Limpas na Itália, na década de 80-90.

Compreender isso profundamente, significa ter uma posição resoluta contra a operação Lava-Jato. Seu objetivo político não tem nada em comum com os objetivos da classe trabalhadora e da juventude. Ela é um instrumento na mão da burguesia para nos criminalizar e para nos prender, sem provas. Além disso, é necessário reforçar com grande entusiasmo, mas com organização e discussão política, o ódio a essas instituições falidas da burguesia bastarda brasileira. É preciso construir novas instituições verdadeiramente populares, que emanem a vontade dos jovens e trabalhadores desse país.

Porque Lula se entregou?

Em seu discurso, no dia 7 de março, Lula disse:

‘‘Eu não estou acima da Justiça. Se eu não acreditasse na Justiça, eu não tinha feito partido político. Eu tinha proposto uma revolução nesse país”.

Lula e a direção do PT não acreditam que é possível fazer uma revolução no Brasil e no mundo. Ele nunca foi um revolucionário e reafirma, mesmo sendo condenado sem provas, que acredita na Justiça. Lula e a direção do PT acreditam e defendem o Estado Democrático de Direito, acreditam nas instituições que sustentam esse Estado, na democracia burguesa, porque não querem fazer revolução e nunca quiseram. Não quiseram e não querem erguer instituições verdadeiramente populares, porque sua política é de colaboração com os patrões, não de luta, não de resistência. Por isso ele se entregou e foi muito coerente ao fazê-lo, coerente com a política que defendeu durante anos e que ainda defende. Mas a burguesia cansou de Lula, do PT e resolveu retomar o controle em suas mãos.

A Liberdade e Luta foi contra a prisão de Lula, entendemos que essa prisão o tirou do cenário político das eleições de outubro deste ano e defendemos seu direito de ser candidato, mas não defendemos uma linha de sua política.

Nesse contexto político, não podemos esperar que as coisas vão se resolver nas eleições. Nossa luta passará pelas eleições, refletindo as posições e os interesses da classe trabalhadora e de sua juventude, mas não se encerra nela. Continuamos combatendo pela revogação das reformas aprovadas (Teto dos Gastos, Reforma Trabalhista, Reforma do Ensino Médio) e contra todos os ataques que estão sendo preparados (Reforma da Previdência, Lei da Mordaça).

Acima de tudo, lutamos por uma sociedade igualitária e livre. O capitalismo falhou, não pode nos oferecer mais nada além de privações, por isso nós propomos uma revolução nesse país, contrariando Lula e todos que acreditam na política de colaboração de classes.

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