Somente a luta pela Educação Pública pode salvar as universidades em crise

Evandro Colzani
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No último dia 24 os servidores públicos e funcionários terceirizados da Universidade de Brasília (UnB) entraram em greve para defender os terceirizados ameaçados de demissão. Alguns dias antes, 12 de abril, estudantes já haviam ocupado a reitoria da universidade com base na mesma pauta.

A UnB passa por uma grave crise financeira e alega ter dinheiro em caixa só até maio. A reitoria da universidade diz que até o final do ano o rombo deve ser de 92,3 milhões de reais. A solução da reitoria parte da perspectiva de aceitar essa realidade e aplicar um programa de austeridade: devem dispensar 1,1 mil estagiários, reduzir em 15% o valor dos contratos terceirizados, aumentar o preço das refeições no RU e aumentar os aluguéis do Cebraspe. De acordo com o Sintfub, Sindicato dos trabalhadores da UnB, desde o segundo semestre de 2016, cerca de 1.500 empregados foram desligados.

Essa situação não é exclusiva da UnB. Na Universidade de São Paulo (USP), mais de 350 professores foram demitidos desde 2014. A Universidade Federal do ABC (UFABC) reduziu em 65% a quantidade de auxílios moradia, em 43% as do tipo permanência e em 50% o benefício para alimentação na comparação entre 2015 e 2017 entre outras medidas. 

A crise das universidades brasileiras é fruto de uma política de governo que busca destruir o ensino público brasileiro em todos os níveis. Essa realidade tem se agravado após a emenda 95, antes PEC 55, que resultou no corte brutal de gastos desde a sua aprovação. Até outubro do ano passado, por exemplo, o MEC havia contingenciado 15% dos gastos com luz, água, manutenção e serviços terceirizados e 40% dos gastos com obras e reestruturação de prédios de universidades e institutos federais. 

Organizar os estudantes e seus sindicatos

Diante da dimensão dos ataques e de suas consequências poderíamos imaginar a UNE organizando o combate aos ataques. Mas até imaginar alguma ação concreta por parte da entidade é difícil.

A UNE busca manter uma imagem combativa, mas não faz um movimento real na base e não vai fazer. Seus dirigentes não acreditam nos estudantes enos trabalhadores. 

Desde o início dos anos 90 a entidade está  atrelada ao estado e serve de trampolim político para os candidatos do PCdoB. Sua direção se mantém por meio de fraudes e manobras eleitorais. Qualquer movimento genuíno dos estudantes poderia resultar na disputa e criação de entidades de bases que não se veem representadas na UJS/PCdoB e ameaçar a hegemonia desse partido no controle da UNE.

Para resolver a questão das crises das universidades é preciso organizar pela base, criar um movimento de resistência em cada universidade do país com assembleias estudantis e manifestações. Onde não há movimento estudantil organizado é preciso criar CA, DA e DCE. Nos lugares em que e UJS e seus aliados reformistas atuam, precisamos disputar o espaço apresentando um programa de combate pela Educação Pública, Gratuita e Para Todos.

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