60 dias sem Marielle Franco: que conclusões tirar dessa execução?

Lucy Dias e Thomas Yamamoto
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Passados quase dois meses desde o assassinato de Marielle Franco, a resposta dada pelos investigadores não aponta para nenhum culpado, nenhum nome, absolutamente nada! E não poderia ser diferente. Marielle foi vítima de uma execução política feita para calar suas denuncias contra a ação sanguinária do 41º Batalhão da Polícia Militar na favela de Acari, no Rio de Janeiro. 

Os culpados, que podem até ser integrantes de milícias — grupos paramilitares formados, em geral, por PMs e ex-PMs —, não foram identificados. A única medida anunciada pelas autoridades é um corte de parte do 41º Batalhão, o que não toca na estrutura da Polícia Militar, nem em sua função essencial: reprimir e esmagar a população pobre e trabalhadora das favelas e periferias desse país, além de, é claro, defender a propriedade privada.

A prisão de 159 homens em uma festa no Rio de Janeiro e o assassinato de Marielle têm alguma relação? 

Como forma de fornecer alguma resposta à população, o Estado burguês e a mídia caíram em cima das milícias. Numa ação policial completamente absurda, 159 homens foram presos em uma festa, sob a alegação de que ela era patrocinada por uma milícia. Nenhum julgamento individual, nada de presunção da inocência. Todos presos! 137 foram soltos, mas o processo foi validado e o inquérito contra todos os presos continua.

É preciso limpar uma parte das maçãs podres para não perder o cesto inteiro. E é isso o que a burguesia fará com as milícias e com uma parte do 41º Batalhão, para manter a estrutura da Polícia Militar intacta. 

Esses eventos estão interrelacionados: o terror para a classe trabalhadora e a morte para aqueles que ousarem denunciar a chacina praticada diariamente nas favelas. Essas instituições — as polícias, o Judiciário, o Executivo, o Legislativo, todo o sistema! — estão apodrecidas; o sistema capitalista falhou. O capitalismo já não consegue apresentar qualquer perspectiva de futuro para a juventude e a classe trabalhadora. Para sustentar esse sistema decadente, a burguesia impõe ataques cada vez maiores aos trabalhadores. Diante da resistência oferecida pelas massas, o Estado só recrudesce ainda mais a repressão. 

A Liberdade e Luta aderiu com grande ânimo à campanha internacional "Justiça para Marielle Franco". Aqui você pode assinar o manifesto da campanha. Impulsionamos a coleta de adesões ao manifesto, exigindo a formação de uma comissão independente para apurar o caso. 

Nenhuma confiança nessas instituições ou em seus representantes! 

A campanha continua. Seguiremos impulsionando a coleta de assinaturas, assim como a organização de debates e atividades sobre as lições dessa brutal execução. 

Marielle Presente, Investigação Independente! 

Pelo fim da Polícia Militar!

Pelo fim da Intervenção Civil-Militar no Rio de Janeiro!

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