Deputada aliada de Bolsonaro quer censurar professores

Daison Colzani

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Logo após a confirmação da eleição de Jair Bolsonaro para a presidência da república, a ONG Escola Sem Partido (ESP) e seus lacaios se sentiram mais à vontade para retomar os ataques ao livre pensamento. Em Santa Catarina, a deputada estadual eleita Ana Caroline Campagnolo protagonizou mais um ataque raivoso ao inflar estudantes a filmar e denunciar professores que estejam “doutrinando”. A defesa de uma suposta neutralidade é na verdade a reafirmação de uma posição muito clara: colocar um fim na liberdade de expressão e no livre pensamento. É um ataque frontal à educação já débil que temos e uma retomada de fôlego da ESP.

A deputada eleita já protagonizou um outro episódio lamentável ao processar sua ex-orientadora de mestrado acusando de discriminação, intimidação, ameaça velada via e-mail, exposição discriminatória, humilhação em sala de aula e tentativa de prejudicar academicamente a autora (coincidência ou não, a ação foi proposta duas semanas após Ana Caroline ser reprovada sob a orientação de outro professor). A deputada eleita havia postado um vídeo (que retirou do ar) com conteúdo considerado pela professora como sexista, homofóbico e racista. Ao questionar a contradição da estudante as divergências iniciaram. Não foi ao acaso, nem mesmo um acidente, que Ana Caroline fez uma tentativa de desqualificar a professora. Esse é o comportamento comum de quem tenta impor a mordaça nas salas de aula, constrangem e atacam todos que definem como doutrinadores. Por ora a ação teve uma decisão como improcedente, mas não podemos confiar no judiciário. É preciso se organizar e combater essas práticas.

O que a Escola Sem Partido define como doutrinação é na verdade qualquer pensamento divergente com o conservadorismo ou ideia que contraponha a dita moral e os bons costumes. Seus apoiadores se utilizam dessa ideia de uma suposta doutrinação para fazer exatamente o que combatem: doutrinar segundo os seus preceitos, limitar o acesso ao conhecimento e até mesmo à organização nas escolas.

Enquanto estava escrevendo essas linhas, começou a circular um vídeo via Whatsapp em que Jair Bolsonaro apoia Ana Caroline e incentiva que a prática sugerida por ela seja adotada por todos estudantes. O falso moralista defensor da constituição nem assumiu o mandato e já está rasgando suas páginas ao atacar a liberdade de aprender, ensinar e pesquisar. Liberdades essas que compõe a constituição que o falso democrata deveria defender. Mas esse é o tratamento que Bolsonaro e seus fantoches dispensam à lei, ela só serve quando lhes convém.

Mais do que nunca é necessário organizar para combater quem tentar nos impor mordaças. Os ataques, que já começaram, vão se aprofundar antes mesmo do demagogo Bolsonaro assumir, seus lacaios serão ferozes e agem organizadamente. Somente se formos igualmente organizados, combatendo com os métodos operários, é que conseguiremos derrotá-los.

Para entender nossa posição sobre a Lei da Mordaça e a ONG Escola Sem Partido, recomendo a leitura desse texto: https://www.marxismo.org.br/content/a-lei-da-mordaca-o-significado-historico-e-nosso-combate/

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