Abaixo o Sampaprev! Todo apoio à greve dos servidores de São Paulo

Lucy Dias

Divulgação Sindsep
Servidores de São Paulo em greve contra a Reforma da Previdência Foto: Divulgação/Sindsep


João Dória propôs a reforma da previdência a nível local com o Sampaprev. Agora, seu sucessor, Bruno Covas busca aprovar a medida que foi derrotada pelos servidores em março do ano passado, em uma massiva demonstração de força. Mais uma vez os servidores de São Paulo se mobilizam para dizer NÃO ao Sampaprev e deflagraram greve a partir do dia 4 de fevereiro, com assembleia e ato em frente à prefeitura de São Paulo.

Por que rechaçamos o Sampaprev?

1. O Sampaprev buscou aumentar a contribuição previdenciária de 11% para 14%; Aumenta a idade mínima para se aposentar e o tempo de contribuição. Também ataca o plano de carreira dos servidores. Além disso, busca criar uma empresa privada que aplicará o dinheiro dos trabalhadores no mercado financeiro. 

2. Transforma o sistema previdenciário de público para privado, o que significa fazer o mesmo que que ocorreu com a Reforma da Previdência no Chile em 1980, implantada pela ditadura de Pinochet, onde os primeiros a se aposentarem no modelo, ganham salários abaixo do que é o salário mínimo atual, levando os trabalhadores a continuarem a trabalhar mesmo depois de aposentados para compor sua renda. 

3. Responsabiliza os trabalhadores pelo uso de verbas da previdência para outros fins. 

4. Representa um ataque ao serviço público e precariza o trabalho dos servidores e suas condições de vida. Nesse sentido é uma porta para a privatização e o fim do serviço público. Isso porque o confisco do salário, através do aumento da contribuição, faz com que os trabalhadores tenham que procurar outros empregos para compor a mesma renda que tinham anteriormente, forjando profissionais exaustos e de baixa qualidade. Com isso justifica-se o baixo nível dos serviços públicos e apresenta-se como saída para a privatização. 

5. Sob o governo Bolso-Dória, com um programa de privatização, ter aprovado o Sampaprev em São Paulo, significa abrir as portas para a implantação dos vouchers para saúde e educação em todo o estado. Em vez de investir o dinheiro público em serviços públicos, gratuitos e para todos, usam o dinheiro para financiar a privatização. Além disso, estudos apontam que, nos EUA onde medidas semelhantes foram implantadas, as famílias mais ricas conseguem acessar os serviços de melhor qualidade, enquanto que as piores escolas/hospitais sobram para as famílias mais pobres. [1]

6. A luta contra a Reforma da Previdência – uma luta que mobilizou milhares de trabalhadores durante os anos de governo Temer e que forjou a maior greve geral da história do país em 28 de abril de 2017 – busca ser realizada em estados e municípios. Se for aprovada em São Paulo - capital política e econômica do Brasil – será motivo de comemoração para todos os patrões. Mas se for derrotada aqui, oxigena e anima trabalhadores, dando o exemplo a ser seguido para todos os trabalhadores do país.

7. Num contexto de crise econômica, o capital busca explorar ainda mais os trabalhadores. Para isso, é preciso fazer com que os trabalhadores trabalhem mais, trabalhem até morrer. É com esse sentido que reformas da previdência ou trabalhistas, com o mesmo sentido, vêm sendo ou buscando ser implementadas em vários cantos do mundo, como na França, na Tunísia, na Rússia, no Brasil. Essa não é uma exclusividade nossa, mas está conectada com as necessidades dos capitalistas a nível mundial. Mas nós não queremos trabalhar até morrer! Os interesses deles estão em oposição aos nossos e derrotar a reforma da previdência e o Sampaprev é também uma demonstração dos nossos interesses enquanto classe, contra os capitalistas.

Porque a classe operária e sua juventude devem estar ao lado dos servidores em greve? 

Nós somos os principais afetados pela precarização dos serviços públicos, pois somos nós que utilizamos as escolas, os postos de saúde. Somos nós que não podemos pagar escolas privadas ou que temos que trabalhar dobrado para consegui-lo. Somos nós que encaramos o vestibular porque não investem para criar vagas para todos nas universidades públicas.

Somos nós que dependemos do serviço público de saúde para realizar exames, conseguir remédios e tratar doenças. E muitos de nós morre em filas de espera pelo descaso e a falta de investimento público nessas áreas.
Por isso, temos que estar ao lado dos trabalhadores servidores em greve, pois a luta que eles estão travando afeta diretamente às nossas vidas. E a vitória deles nesse combate é uma vitória para nossa classe.

A Liberdade e Luta juntamente com o coletivo Educadores pelo Socialismo esteve presente na assembleia dos servidores, difundindo panfletos, conversando com os servidores, vendendo jornais e explicando que o Sampaprev é a reforma da previdência em escala local e que devemos dar o exemplo de luta ao restante do Brasil, derrotando o projeto. A Liberdade e Luta irá participar dos comandos de greve, ajudando os professores a mobilizar e paralisar escolas contra o ataque aos serviços públicos. Convidamos todos os jovens e trabalhadores a apoiarem a greve, se juntarem a nós nos comandos de greve e se mobilizarem contra reforma da previdência.


TODO APOIO À GREVE DOS SERVIDORES DE SP!
NÃO AO SAMPAPREV!
ABAIXO A REFORMA DA PREVIDÊNCIA!
FORA BOLSO-DÓRIA-COVAS!

[1] Como Bolsonaro e Guedes pretendem destruir a educação pública. Evandro Colzani. Foice e Martelo nº130. 
 

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