Como a reforma do ensino médio está sendo aplicada em São Paulo?

Alexia Marilia

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*Essa matéria foi realizada com a ajuda de Pedro Bernardes, professor da rede estadual e membro do coletivo educadores pelo socialismo. 

O projeto prevê aumento da carga horário dos professores, além de alterações no quadro de disciplinas. Falta de investimento, implantação de disciplinas de vertentes capitalistas, como comunicação não verbal e empreendedorismo, estão na ordem do dia. É nítida a doutrinação, utilizando a escola. Também não se explica onde as novas disciplinas serão cursadas, por falta de disponibilidade de salas, elas podem ser dadas no pátio, por exemplo!

O expediente do professor estadual consiste no horário das 7 horas até 12h20, o que equivale ao total de seis aulas mais um intervalo de 20 minutos. O projeto do governo Dória é que a grade horária seja modificada para 7 aulas de 45 minutos, mantendo o intervalo de 20 minutos, o que significa um aumento da carga horária. No entanto, os professores deverão cumprir esse aumento de horas com cursos de capacitação e não com as disciplinas para os quais foram formados. 

Pedro Bernardes explicou que fez um curso sobre a reforma do Ensino Mmédio em sua escola no dia 19 de maio. Nesse curso, o professor deverá, em teoria, fazer uma capacitação de 60 horas para que possa dar tais aulas inusitadas. Após concluir o curso, o professor ganhará um certificado, que possibilitará a sua atribuição na disciplina eletiva, nos projetos de vida e nas aulas de tecnologia.

Rossieli (secretário da educação de SP) deixou claro que vai cortar as aulas de outras disciplinas para que as novas caibam na grade. É por essa razão que ele está obrigando os professores a fazerem um curso de capacitação, desse jeito eles vão poder atribuir aulas. 

Atualmente o professor só atribui a aula de sua disciplina, mas com o projeto sendo aplicado, ele vai ter que dar essas aulas também. Caso o professor se negue a dar essas aulas, não fazendo o curso de capacitação, ele ficará sem aula. Como consequência, o professor teria então que reabastecer sua carga horária trabalhando em mais de uma escola. E para os estudantes isso significa mais aulas vagas e menos professores. 

Podemos ver como a Reforma do Ensino está sendo aplicada silenciosamente em São Paulo. Mas o seu conteúdo continua sendo o mesmo: o sucateamento da escola pública, a sua consequente privatização e o desmoronamento da educação pública como a conhecemos.  Por isso, nosso combate deve continuar para revogar a reforma do ensino médio em todo país!

Fora BolsoDória! 

 *Alexia é estudante secundarista em um colégio particular na zona norte de São Paulo e militante da Liberdade e Luta.


 

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