O Mundo É Meu País: A greve da Wayfair e a solidariedade de classe dos trabalhadores

Nathália Kons*

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Cartazes com os dizeres "uma prisão com cama ainda é uma prisão", "uma jaula não é um lar", "#grevedawayfair" e "solidariedade com as famílias imigrantes", durante a greve dos trabalhadores da fábrica Wayfair.

O presidente dos Estados Unidos da América, Donald Trump, possui uma clara política xenófoba e imperialista, respaldado pelo grande capital estadunidense, para a exploração de trabalhadores norte-americanos e, principalmente, dos latino-americanos que residem nos EUA, sendo muitos em clandestinidade, o que intensifica a exploração do capital frente à trabalhadores que nada possuem senão sua própria mercadoria, a força de trabalho.

Neste contexto, onde o mundo assiste os ataques do Governo Trump aos trabalhadores, diversas greves ocorrem nos EUA mostrando a capacidade organizativa de nossa classe diante da crise do capitalismo e apesar da crise das direções sindicais, partidárias e estudantis, que freiam o avanço da luta pelo socialismo em todos os países.

O novo exemplo das movimentações anti-Trump (consequentemente, antissistema) nos EUA trata-se da greve dos trabalhadores da distribuidora de móveis Wayfair de Boston, nordeste estadunidense, deflagrada no último dia 26 de junho contra a venda de camas, produzidas pelas mãos operárias, aos campos de concentração para crianças e bebês imigrantes no Texas.

Os donos da empresa, compreendendo a força dos trabalhadores, emitiu pronunciamentos dizendo que respeitam a opinião dos funcionários, mas que a empresa não é uma “entidade política”, portanto, deverá seguir como acordo com o Governo Trump. O desgaste é evidente e a construção da consciência de classe entre os grevistas se dá igualmente com todo esse processo. Para os patrões, pouco importa os fins de seus produtos, se servirá à barbárie. O que importará sempre para a burguesia é seu lucro a partir da extração da mais-valia e dos acordos com o Estado igualmente burguês.

Além da consequente conscientização a partir da greve, essa movimentação oferece algo ainda mais valioso para os trabalhadores: a inabalável solidariedade de classe entre os trabalhadores de todos os países. O proletariado é a classe revolucionária pois é a única que não tem nada a perder senão seus próprios grilhões, e suas algemas não são apenas as horas intensas de trabalho, onde este produz todas as riquezas e é restrito delas, mas seus grilhões são também as fronteiras, as barreiras e muros que segregam as pessoas e o desenvolvimento humano. A solidariedade de classe é, portanto, a maior demonstração do reconhecimento dos trabalhadores enquanto os únicos que podem livrar o mundo dos velhos e antiquados limites de fronteiras para a construção da revolução permanente e a emancipação política, social e cultural de todos os países.

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"Parem de enjaular famílias" e "libertem nossas crianças", dizem os cartazes em protesto à política de encarceramento imigratório dos Estados Unidos

A referida greve e muitas outras que ocorrem nos EUA são atos políticos de extrema importância contra as políticas xenófobas de Donald Trump e todo seu governo, sendo uma demonstração do internacionalismo proletário. A xenofobia é uma doença crônica do capitalismo, pois este sistema necessita da imposição das fronteiras e da ideologia das classes dominantes, desde a constituição dos Estados nacionais, para dividir os trabalhadores e torná-los inimigos, colocando-os, em última instância, uns contra os outros em guerras e conflitos que a História nos conta e que hoje, em dezenas de localidades, podemos assistir pelos noticiários. Trump e os EUA se alimentam desses mecanismos para pôr em prática suas políticas imperialistas e manter o capitalismo.

A classe trabalhadora é internacional e sua vitória só se dará, por completo, com a revolução igualmente internacional e permanente, como nos ensinou Leon Trotsky. Somente assim, com a tomada do poder dos Estados nacional-burgueses e a transformação destes em Estados operários-camponeses, sob a direção do Partido Revolucionário e a edificação de um Partido Internacional, pondo abaixo a exploração do homem pelo homem e toda as instituições burguesas, nossa classe se verá livre de figuras reacionárias e nefastas como Donald Trump, Jair Bolsonaro e tantos outros lacaios da burguesia e assassinos dos trabalhadores.

Por isso, a Esquerda Marxista, sessão brasileira da Corrente Marxista Internacional (CMI), levanta a bandeira O Mundo É Meu País, em contraposição às ideologias chauvinistas, que servem como alienação para classe trabalhadora com a intenção de desvirtuá-la da luta revolucionária contra a burguesia. Assim, reiteramos que os marxistas estão lutando ao lado de todos os trabalhadores do mundo, contra qualquer expressão xenófoba e racista. Nossa solidariedade aos trabalhadores da Wayfair e aos trabalhadores latinos que passam por diversas explorações e segregações nos EUA para tentarem alcançar melhores condições de vida.

Viva a solidariedade da classe trabalhadora!

Viva a luta internacional pelo Socialismo!

Viva a Revolução Permanente!

 

*Nathália Kons é militante da Esquerda Marxista em Joinville/SC.

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