CMI e o trabalho entre secundaristas

Lucy Dias
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Este artigo foi publicado originalmente na página de juventude do jornal Foice&Martelo, caso você queira ler todo o conteúdo do jornal, clique aqui para assinar

As manifestações ocorridas em diversos países da Europa, EUA e Canadá contra as mudanças climáticas em 15/03 desse ano foram, de forma geral, protagonizadas por estudantes secundaristas com alto nível de radicalização. Os protestos levaram mais de 1,5 milhão de jovens às ruas em mais de 100 países naquela data. Diversas seções da Corrente Marxista Internacional interviram nesse movimento e conseguiram encontrar bons resultados pela radicalização presente nas manifestações.

Nos informes sobre o trabalho com jovens secundaristas a partir dessas greves, diversos camaradas explicaram a importância de participar desse movimento e intervir nele com nossas bandeiras e métodos. Utilizar grandes faixas com slogans como ‘‘O problema é o sistema’’ ou ‘‘questão climática é questão de classe’’ na Dinamarca e organizar comitês de greve nas escolas no Canadá/Itália foram táticas utilizadas para aproximar jovens para uma posição de classe sobre a questão.

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Demandas políticas x demandas econômicas

A demanda política contra a mudança climática e pela defesa do futuro trouxe um aspecto de facilidade para a discussão com os jovens em diferentes seções. Os camaradas italianos explicaram que podiam abordar assuntos políticos como a crise do governo italiano, os coletes amarelos, a emancipação das mulheres e sobre a mudança climática. De forma geral, as demandas estudantis como fim do vestibular, não ao pagamento de taxas e mensalidades nas universidades não são demandas que aparecerem nessas manifestações. No relato dos camaradas mexicanos, pelo contrário, aparecem com mais frequência dos estudantes, assim como no Brasil. 

Sobre o Brasil, foi explicado que a greve contra mudança climática não aconteceu. Nossas mobilizações aqui têm sido muito mais baseadas em demandas econômicas como os cortes tanto na educação básica como na educação superior, o sucateamento da escola e universidade pública em favor da privatização. No entanto, existe uma demanda política conectada que é o Fora Bolsonaro, que apareceu de forma espontânea na manifestação massiva do dia 15/05. Ao mesmo tempo, sob o governo Bolsonaro foram liberados mais de 261 tipos diferentes de agrotóxicos e o desmatamento da Amazônia disparou e alcançou somente na primeira quinzena de julho 1000 m², o que é 68% maior do que no ano passado. Essas questões somente são mais gotas d’água do copo cheio de ataques promovidos pelo governo brasileiro e podem ser uma fonte de transbordamento, o que ainda não aconteceu.

O problema é o sistema

As declarações de Greta Thunberg, liderança mundial do movimento, reconhecem que estamos vivendo a crise mais aguda da humanidade. No entanto, a crise, para ela, é a crise climática. Em suas declarações, a situação econômica, os cortes na educação, saúde, previdência social, os refugiados etc., nada disso aparece como crise. Isso não faz com que a reivindicação de uma perspectiva de futuro não seja legítima, mas demonstra as limitações de um movimento com uma liderança pequeno-burguesa, que apresenta como saída que os governos adotem medidas para salvar o planeta e por isso se dirige aos parlamentos.

No entanto, em muitos relatos das seções da CMI, foi dito que a base do movimento é diferente. De forma geral, os estudantes secundaristas são de camadas mais amplas, muitos de famílias operárias, o que explica a radicalidade que não se dirige somente às mudanças climáticas, como também vão em direção ao sistema capitalista no seio desse movimento. Vemos cartazes como ‘‘o capitalismo mata o planeta’’, ‘‘mudança de sistema não mudança climática’’ ‘’nós podemos mudar de sistema, mas não de planeta’’. Nós podemos mudar de planeta, se mudarmos de sistema! Essa é uma possibilidade que se abre com o desenvolvimento de todas as forças humanas e meios materiais, que hoje estão bloqueados pelo capitalismo.

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Os cartazes são demonstrações de que na base do movimento existe uma radicalidade real contra o sistema capitalista que devemos nos conectar para construir a organização revolucionária. Devemos explicar que o problema é o sistema e não tentar mudá-lo através do parlamento, convocar jovens e trabalhadores a se unirem contra as medidas de austeridade e por uma perspectiva de futuro, que não está sob o capitalismo. 

A próxima mobilização contra as mudanças climáticas irá acontecer em 27/09, a Liberdade e Luta irá acompanhar o movimento e continuar produzindo artigos sobre a questão, que sensibiliza milhões de jovens pelo mundo.

Nossa propaganda sobre essa questão deve ser explicar que tomar os meios de produção dos capitalistas, planificar a economia sob o controle dos trabalhadores para produzir segundo as reais necessidades de todos e sem desperdícios. Aplicando a ciência e a tecnologia para desenvolver formas de produção que não destruam a natureza e muito mais do que isso, que alcancem o futuro cósmico da humanidade.  

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