Ataque de grupo fascista na UnB: sobre suas ideologias e referências

Simone Daniela

unbfascNo dia 17 de junho, a Universidade de Brasília (UnB) sofreu um atentado planejado por um grupo fascista, concentrado no Instituto Central de Ciências (ICC). O grupo atacou estudantes com agressões verbais, jogaram duas bombas, portavam taser, spray de pimenta e canos de PVC disfarçados de bandeira do Brasil. Entoavam cantos de apoio ao Deputado Federal Jair Bolsonaro (PSC/RJ) e ao juiz federal Sérgio Moro.

O grupo era composto por cerca de 17 pessoas, entre ex-alunos, servidores públicos, ativistas conservadores e de extrema direita. Uma estudante da UnB, integrante do Distrito Liberal (DL) estabeleceu comunicação com o Instituto Liberal do Centro-Oeste (ILCO). A ativista Kelly Bolsonaro convocou o ato pelo Facebook dias antes, utilizando a hashtag “opressão”.

A Mídia Ninja realizou divulgação das conversas do grupo, no WhatsApp, que evidenciam como a suposta manifestação pela liberdade de expressão e a favor da Escola Sem Partido era de fato um planejamento de ataque ao Centro Acadêmico de Sociologia e a estudantes e professores como alvos específicos, cujos nomes foram citados nas conversas. Apesar de os vídeos mostrarem o que, na verdade, foi um ato pequeno de pessoas alucinadas gritando baboseiras, a intenção do grupo era disseminar terror e incitar estudantes de esquerda a entrarem numa briga, para iniciar o que eles gostariam de fazer: espancamento e até mesmo uma chacina. As conversas do grupo estão carregadas de homofobia, machismo, racismo, discurso de ódio contra a esquerda e pedido de volta da ditadura.

Durante os dias de planejamento, os integrantes do grupo enviaram fotos com armamento, destinados “aos comunas”, nas suas palavras. Também afirmaram que Bolsonaro tinha conhecimento de todos os acontecimentos do gênero. Este mesmo grupo tem relação com atos ocorridos anteriormente na própria UnB, ações de ataque à esquerda nos estados do Rio de Janeiro e Bahia.

Se, por um lado, não superestimamos a força e a influência social deste grupelho, repudiamos qualquer ato de violência e expressamos solidariedade aos grupos que tiveram o desprazer de encontrá-los na universidade. Por outro lado, faz-se necessário o apontamento das figuras públicas tidas como referência para tais atos, Bolsonaro e Sérgio Moro, e a denúncia das ideologias envolvidas: nacionalismo, fascismo, Escola Sem Partido, anti-comunismo, liberalismo, veneração à ditadura militar.

Todo jovem que queira se organizar por uma sociedade justa, igualitária e onde a felicidade seja para todos, deve estar atento para não se envolver com tais ideologias e práticas. Se organizar de forma saudável, em espaços coletivos, democráticos, com ações que favoreçam a juventude como um todo, e a classe dos trabalhadores, no Brasil e no mundo, por uma sociedade plena. Esses são os métodos e metas da Liberdade e Luta nos vários estados do Brasil, por meio de núcleos organizados.

Todo repúdio aos fascistas!
Contra a incitação à violência!
Fora Escola Sem Partido e a Lei da Mordaça!
Toda a solidariedade aos estudantes e à esquerda da UnB!

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