Racismo e Capitalismo: duas faces da mesma moeda

Daniel Boanerges
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                                             "Vidas negras importam" / Imagem: G1 

Não é de hoje que a burguesia em sua decadência mostra ao que veio: explorar o proletariado. Desde sua origem a burguesia sempre dependeu de ideologias que justificassem a exploração do homem pelo homem, filosofias de uma classe dominante. No Brasil, assim como em diversas partes do mundo, uma das manifestações destas ideologias é o racismo. Que o racismo se manifesta nas relações econômicas, de trabalho e de mercado, não é nenhum mistério, negar este fato é admitir estar em completa alienação da realidade social. Mas há também outros campos da vida social que são afetados pelas políticas de divisão da classe trabalhadora.

O governo candidato a Bonaparte  do atual presidente, junto aos seus representantes, quer mostrar serviço a uma burguesia e pequena burguesia e não sendo capazes de combater a criminalidade, visto que esta é resultado do próprio capitalismo qual o governo não visa combater, volta sua atenção à única estratégia demagoga que conhece: o ataque contra os trabalhadores. Em um país onde a classe dominante é majoritariamente branca e o operariado majoritariamente negro, não é de se surpreender que os representantes das forças de coerção do estado tenham uma cor alvo para atacar.

Na noite do dia 20 de setembro, a jovem de oito anos, Ágatha Félix foi baleada por um tiro de fúsil no Complexo do morro do Alemão, tiro, que apesar dos boatos nas redes sociais, foi indiscutivelmente disparado por PMs (fato que foi confirmado por inquérito e divulgado ontem, 19/11). Segundo os policiais o “acidente” ocorreu entre uma troca de tiros entre os PMs e traficantes locais, mas diversos moradores relataram não que não houve nenhum troca de tiros, o ocorrido aconteceu sem nenhuma justificativa. Entretanto tudo indica que não haverá punição para os culpados. O caso rapidamente tomou destaque nas redes sociais, os moradores da região se organizaram em atos contra a violência e ação policial no Rio de Janeiro. Este não foi o primeiro nem o último “incidente”. Outros jovens, como Jennifer Gomes, com apenas onze anos, e Caue Ribeiro dos Santos, com doze, já foram alvos de situações semelhantes à Ágatha desde o início do ano. O caso mais recente, dessa vez em São Paulo, levou ao desaparecimento e morte do menino Lucas de 14 anos.

Mesmo com toda a revolta popular contra estas situações, os políticos burgueses, não cruzam os braços, como é esperado, mas pelo contrário, aplaudem de pé a esses ocorridos como sendo iniciativas válidas e justificáveis. Tudo isto demonstra não se tratar de acidentes ao acaso, mas sim, frutos de uma política elitista, reacionária e racista.

Mas não é só por aqui que o capitalismo vem causando mortes e revoltas. De modo quase análogo, algo semelhante ocorre em países com um grande proletariado negro. Nos Estados Unidos a morte de George Zimmermam por armas de fogo disparadas por policiais inflamou a juventude, dando origem ao movimento “Black Lives Matter”, o qual encontrou seu maior expoente nas redes sociais seguidos de protestos e manifestações, hoje o movimento já é um fenômeno mundial.

E por aqui o que os nossos representantes políticos vêm realizando? Wilson Witzel, atual governador do Rio de Janeiro, nada tem a oferecer de melhoria a vida das comunidades de proletarizados do Rio, exceto constantes ameaças de morte. Moro com seu projeto anticrime planeja legalizar a violência policial já vangloriada por Witzel, através da excludente de ilicitude, esta proposta é um meio de tornar tragédias, como a de Agatha, cada vez mais comuns e normalizadas e ainda menos punidas. Mas não há surpresa alguma, todos estes acontecimentos fazem parte do já proposto por Bolsonaro e seu séquito. Moro foi escolhido como ministro para institucionalizar as propostas violentas de Bolsonaro contra a classe trabalhadora, Witzel, por sua vez, elegeu-se apoiado na retórica bolsonarista. Todos que acompanharam com atenção a corrida eleitoral de Bolsonaro eram capazes de vaticinar a situação atual. É importante nos atentarmos que estes eventos não são coincidências ao acaso, devemos unificar a juventude e os trabalhadores, independente da corda pele, a causa proletária e levantar o “Fora Bolsonaro”. Derrubar Bolsonaro também é negar todas as propostas que exploram e assolam a juventude, os proletários de amanhã.

Os movimentos de esquerda em sua maioria denunciam o barbarismo das autoridades, mas quase nenhum deles ousa afirmar que o capital é a fonte do problema. Criticam pontualmente situações especificas, mas sem a real disposição de movimentar as bases e pedir a derrubada de Bolsonaro.

Infelizmente, tanto aqui, no Brasil, quanto no exterior a insatisfação da população negra não possui um prumo. Não é esclarecida de quem são seus reais inimigos. Perdendo-se no esquerdismo de partidos oportunistas, o que resta é a confusão e o desgaste das bases. Cabem aos comunistas a clareza e explicação, devemos comunicar aos trabalhadores que o racismo é um fenômeno global, porque, o capitalismo é um fenômeno global, apenas o combate ao capitalismo é efetivo contra o racismo.

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