"Abra-te fábrica": um poema inspirado pelo Manifesto Comunista

Kátia Surreal
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A poesia abaixo foi uma iniciativa de uma frequentadora da Universidade Vermelha, Kátia Surreal. A Universidade Vermelha é composta por cursos de marxismo organizados por militantes da Liberdade e Luta e da Esquerda Marxista em todo o Brasil, e as produções espontâneas e as reflexões posteriores que ela fomenta mostra diariamente aos organizadores a vitalidade e atualidade do marxismo. O estudo em um destes cursos do clássico “O Manifesto Comunista” trouxe a Katia o ímpeto para unir a habilidade poética anterior ao combate de Marx e Engels pelo comunismo junto a classe operária e seu movimento.

 

Abra-te, fábrica (Kátia Surreal)

 

Abra-te, fábrica,

Que o trabalhador já vem

Nosso trabalho é luta

Não lucro

Em real, xelim ou vintém.

 

Abra-te, operário, à tua fada

Que o fardo da exploração

É a tua desgraça

 

O sistema de farsas

A alma do homem mata

No regime das máquinas

Convertido em horas sádicas

A vida transmutada

Em lástimas

Densas lágrimas...

 

Senhores sujeitos,

À praça!

Com vossos corações

Em milhões,

Em massas

Contra a maldita praga

Desta gente rata

E tão ávida

A roer nossa desgraça

Senhores sujeitos,

À praça!

 

Abra-te, fábrica,

Teus ríspidos portões

Que sem os grilhões

Vêm vindo

Os proletários

O proletário

Em seu ritmo

Não diário.

 

Abra-te, irmão,

Teu pensamento

Teu argumento

Teu coração

Não há mais razão

Suportar a exploração

Louco regime da desunião!

 

Trabalhadores, uni-vos!

Que este é o verdadeiro espírito

D’um esplendoroso grito

Em denso ritmo

De união,

Nação...

 

Proletários, uni-vos!

Que o povo é soberano

Sobretudo, destemido

Ora digo:

Ouçam nossos gritos

Na fábrica, os gemidos

E o agito...

Suspiro...

 

Um fantasma ronda as fábricas?

Um fantasma ronda o mundo?

Não é um absurdo

O que ora escuto,

O que ora vejo

A falange dos sem medo.

 

A mudança em mil lideranças

A nova esperança

Se espalha e se espelha

Por toda parte

Karl Marx!

 

Liberta-te da chantagem

Do aparelho da ambição

Desperta-te, irmão,

Livra-te de qualquer grilhão

Façamos a revolução!

 

Amigo, não te acovardas

Eis o espírito máximo:

Marx!

Abra as portas agora

Nesta exata hora!

Vambora!

 

Uni-vos, irmãos!

Em gritos,

Na praça

Com raça

A magna massa

Não se descompassa

Uni-vos!

 

Niterói, RJ, 10 de novembro de 2019.

 

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