A campanha em defesa da vida da Prof.ª Mara continua

Liberdade e Luta
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Em outubro de 2019 demos início a uma campanha para defender a vida de uma educadora da Escola Técnica de Franco da Rocha, na região metropolitana de São Paulo. A campanha se iniciou com moções direcionadas ao Centro Paula Souza (que administra as ETECs) e a direção da escola com a exigência de transferência compulsória de cinco estudantes que escreveram em grupo no What’s App “Morte à Mara” e a apuração do envolvimento dos demais. Nessa primeira fase da campanha, contamos com o apoio de cerca de 300 moções e conseguimos uma vitória parcial, pois uma Comissão de Apuração foi instaurada em 18/11/2019. Essa comissão, no entanto, mesmo após mais de 90 dias, ainda não apresentou seu parecer sobre a transferência compulsória. A situação é de tal ordem que mesmo com um parecer pela transferência dado pela comissão e sua execução pela superintendente do Centro Paula Souza, Laura Laganá, o caso pode ir para a Procuradoria Geral do Estado e os estudantes, que em suas mensagens, fizeram diversas alusões e apologia ao nazismo, podem continuar seus estudos na mesma unidade que a Prof.ª Mara durante todo o ano de 2020 sem ter tido nenhuma medida disciplinar mais rigorosa aplicada pela direção da escola.

                O governo Bolsonaro e a Campanha

                Recentemente assistimos a demissão do Secretário Especial de Cultura, Roberto Alvim, por fazer apologia ao nazismo utilizando discurso de Joseph Goebbels (Ministro de Propaganda do Regime Nazista) em comunicado oficial. Para nós está claro que o governo Bolsonaro simpatiza com os ideais fascistas, não só esse caso evidencia, como também as diversas declarações anticomunistas já proferidas por integrantes do governo e o próprio Bolsonaro. Longe de encontrar um eco real entre os milhões de trabalhadores e ser uma força de massas na sociedade, essas ideias tem como objetivo inflamar um núcleo mais duro de apoio ao governo  Bolsonaro, o que permite o aparecimento dos novos galinhas verdes no Vale do Anhangabaú em São Paulo (09/11), do uso de braçadeira por um homem em Minas Gerais (14/12). Mas não é só isso. Os ideais obscurantistas, anticientíficos, a censura (Escola Sem Partido, a lei da mordaça na sala de aula), além da busca por limitar o acesso ao conhecimento acumulado pela humanidade, com as declarações como “os livros didáticos têm muita coisa escrita”, a defesa de um “ensino que vá ser útil”, ou seja, orientado para o mercado de trabalho, portanto, a defesa da Reforma do Ensino Médio, são expressões de uma concepção de educação reacionária e conservadora, que estimula a limitação do conhecimento, o empobrecimento cultural dos filhos da classe trabalhadora, a formação técnica e utilitarista, voltada ao aprofundamento do embrutecimento, a disciplina e o controle dos futuros trabalhadores.

                A Prof.ª Mara já enfrentou nazistas na mesma unidade escolar, no entanto, é a primeira vez que eles aparecem com um plano de assassinato, ou seja, de eliminação física de um educador que não só combate os ideais que eles defendem como também representa a luta por uma educação crítica, histórica e materialista. Uma das coisas que foi alvo de ataque dos estudantes neonazistas foi o projeto de maquetes da Grécia Antiga que a professora impulsiona, seu argumento é que visto como “uma audácia”, ou seja, desnecessário e inútil, e o desejo pela morte da educadora de “forma pelo menos um pouco dolorosa ” para não aguentar um “método de ensino execrável que não ajuda em nada por mais um ano”. Esses ataques confluem totalmente com o pensamento reacionário do governo Bolsonaro para a educação. Por isso, a Campanha em defesa da vida da Prof.ª Mara está indissociada da luta por Fora Bolsonaro e tudo que ele representa para a educação: o ataque à educação pública e a ciência, a mordaça nos professores e estudantes e seu caráter obscurantista e censurador do conhecimento para os filhos da classe trabalhadora.

A continuidade da campanha 

                A luta continua, nem o governo Bolsonaro caiu nem os estudantes neonazistas saíram da escola. Apesar das imensas fragilidades do governo Bolsonaro com a perda de três ministros, o secretário especial de cultura e cerca de 30 funcionários de alto escalão, tudo no primeiro ano, além de ter enfrentado manifestações massivas contra os cortes na educação e uma greve geral que levou 40 milhões de trabalhadores a cruzarem os braços, o governo segue avançando com privatizações, o projeto Future-se e diversas formas de aplicar a Reforma do Ensino Médio em nível estadual como o MEDIOTEC e NOVOTEC que, inclusive foram aplicados na ETEC de Franco da Rocha, e também segue com seus ideais, que permite que ideologias nazistas tirem a cabeça da lata do lixo e olhem a superfície, que mesmo minoritárias, devem ser combatidas com energia. Nessa próxima etapa da campanha, atividades sobre o que é fascismo e como combater, entre estudantes e professores, partindo da campanha devem ser realizadas, vinculando com a luta contra a lei da mordaça e pelo Fora Bolsonaro, além da continuidade do envio das moções! Fora nazistas da ETEC! Fora Bolsonaro!

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