Toda solidariedade à Greve na França: por Greve Geral para derrubar a reforma e o capital!

Vinicius Lopes
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                                                              Foto: Divulgação

A história da França é repleta de insurreições e manifestações protagonizados pela classe trabalhadora. Desde maio de 2017, quando Emannuel Macron, presidente da França tomou posse, afirmou que que pretendia apresentar um pacote de reformas que afetaria áreas da segurança, leis trabalhistas, ética pública e impostos, tais afirmações tomaram a forma de ataques aos direitos dos trabalhadores, entretanto, o povo não se submeteu a tais medidas e fez da rua palco para reivindicarem seus direitos, exemplo disso é o movimento dos Coletes Amarelos, um movimento de massas que tomou frente contra o aumento dos impostos sob os combustíveis no final de 2018. No dia 11 de dezembro de 2019, foi apresentado por Macron detalhes do projeto de reforma da previdência, que visa substituir 42 sistemas de aposentadoria destinados a diferentes setores da classe trabalhadora, pagos por diferentes organizações por um sistema universal, outras alterações incluem o aumento da idade mínima para aposentadoria e redução de seus respectivos valores e que visivelmente nenhum trabalhador será beneficiado caso essa medida seja aprovada, pelo contrário. Hoje, os trabalhadores precisam trabalhar até 67 anos para ter acesso ao valor integral da aposentadoria, com a aprovação do novo projeto esse número tende a aumentar.

Com base no projeto apresentado manifestações começaram a ser convocadas e com 1,5 milhões de pessoas participando tornou-se o maior movimento desde as batalhas contra o pacote de ataques de Alain Juppé em 1995. Os metroviários encabeçados pela Confederação Geral do Trabalho (CGT) entraram em greve no dia 5 de dezembro e outras categorias aderiram dando início ao maior movimento grevista em anos na França, que paralisou o funcionamento do setor de transportes, incluindo as operações de trem, metrô e companhias aéreas, funcionamento das refinarias, dos hospitais, das escolas, dos correios e dos portos do país, cujos trabalhadores também aderiram à greve.

 

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                                       Foto: Ludovic Marin / AFP / CP Memória via Correio do Povo

As manifestações que de início tinham como principal pauta a reforma da previdência tomou outras proporções, agora reivindicações como aumento do salário e ajustes nos direitos trabalhistas entraram em jogo.  Frente a pressão da greve e das manifestações de rua, o governo de Macron apresentou uma proposta de suspender temporariamente o aumento da idade mínima do Estado de 62 para 64 anos, o que era uma clara armadilha, que a CGT recusou, exigindo a revogação total do projeto.

O clima desse movimento grevista pode ser sentido em diversas categorias, por exemplo, cerca de 300 bombeiros se desviaram da rota de trabalho para participarem das manifestações, reivindicando o ajuste do adicional de periculosidade paralisado desde 1990 e manutenção da idade de aposentadoria aos 57 anos. Trajados com roupa à prova de fogo, incendiaram-se como forma de protesto, enquanto outros tinham os rostos pintados em referência ao Coringa, personagem interpretado por Joaquin Pheonix. Em diversas ocasiões os bombeiros entraram em confronto com a polícia, jogando um grande papel ao se colocarem na frente aos trabalhadores para os proteger contra a repressão policial que usava de balas de borracha de 40mm que custou os olhos de vários Gilet Jaunes em 2018.

Embora, corajosos e honestos, as ações de protesto ou os cordões de linha de frente não são suficientes para vencer a reforma da previdência e todos os ataques aos direitos, é preciso uma greve geral de toda a classe trabalhadora para pôr abaixo não só a reforma como também o governo de Macron. E o movimento de greve já apontou que tem essa disposição, no dia 09 de janeiro, mais de 1,7 milhões de pessoas foram às ruas, cerca de 370 mil só em Paris, com os trabalhadores afirmando que continuarão até que se retire o projeto, “on ira jusqu’au retrait!”

Nenhuma possibilidade pode ser destacada quando se trata da França. Os trabalhadores e jovens franceses tem uma enorme disposição de luta e estão buscando uma saída para enfrentar o capital, frente as traições que sofreram de suas direções tradicionais. Exemplos disso foram os movimentos Nuit debout, onde jovens se reuniam para discutir política e se posicionar contra a reforma trabalhista, depois o grandioso movimento dos Coletes Amarelos e agora esse poderoso movimento de greve.

Nós da Liberdade e Luta somos totalmente solidários à luta dos trabalhadores franceses contra os ataques do capital. Apontamos como perspectiva a extrema necessidade de a CGT convocar uma Greve Geral de todos os trabalhadores que coloque abaixo a reforma da previdência, o governo de Macron e estabeleça um governo dos trabalhadores na França! No próximo mês se comemoram os 149 anos desde a Comuna de Paris, uma enorme fonte de inspiração para todos os trabalhadores e jovens franceses que lutam contra o capital: a primeira vez que a classe operária tomou o estado e estabeleceu seu próprio governo. Que o movimento atual possa se inspirar nas lições deixadas pelos comunards e vencer não só os ataques como o próprio capitalismo!

 

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