Violência contra as mulheres: por que aumenta e como combatê-la

Carina Couto
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Quantas mulheres você conhece que já sofreram algum tipo de violência? Se você é mulher, se inclui neste questionamento? Provavelmente, uma ou mais pessoas passaram pela sua cabeça e não é para menos, somente em 2019, o Brasil registrou 3.739 homicídios dolosos de mulheres e, deste total, 1.314 foram feminicídios, que configuram violência doméstica e familiar e/ou menosprezo ou discriminação à condição de mulher.

Esses dados, retirados do Monitor da Violência, parceria do site de notícias G1 com o Núcleo de Estudos de Violência da USP e o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, demonstram que esse número é o maior já apurado desde que a lei do Feminicídio entrou em vigor em 2015. Isso é uma evidência de que, embora nos últimos dez anos tenham sido criados mecanismos legais para a prevenção e combate à violência contra a mulher como a Lei Maria da Penha (2006) e Lei do Feminicídio (2015), o sistema econômico capitalista é conivente com este tipo de violência e em sua crise agrava as condições materiais e de vida das camadas mais vulneráveis, como as mulheres e os jovens. Essas legislações e organismos, ao contrário de um avanço político, são fruto de um processo forçado pela Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) e pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPMI), respectivamente, que impeliu o Estado brasileiro a tomar providências em relação ao assunto.

O machismo estrutural, a cultura de culpabilização da mulher, a concepção burguesa de família, as condições sociais e de trabalho precárias da mulher estão intrínsecas e persistirão no sistema capitalista. Bolsonaro, como atual representante deste sistema na sociedade brasileira, demonstra seu total desprezo perante as mulheres em atitudes como o corte do orçamento da Secretaria da Mulher e pelas declarações machistas como quando, com microfone aberto, disse que não estupraria Maria do Rosário (PT-RS) porque ela “não merece” ou quando afirma que sua própria filha foi uma “fraquejada”.

Não há outra forma de combate à violência contra a mulher que não seja pela via de uma transformação radical e profunda por meio do socialismo. A emancipação só será possível pela eliminação da propriedade privada dos meios de produção, que agrava o machismo e oprime a mulher trabalhadora. Conforme afirma Trotsky, “[...] é preciso ajudar as massas nos processos de suas lutas cotidianas a encontrar a ponte entre suas reivindicações atuais e o programa da revolução socialista [...]”. Portanto, uma luta pelas condições materiais que garantam às mulheres o pleno emprego, salário igualitário, derrubada da reforma da previdência e que a propriedade dos meios de produção saia enfim das mãos de meia dúzia de sanguessugas. É urgente que as mulheres compreendam a necessidade de se organizar ombro a ombro com os demais trabalhadores para a superação desse sistema opressor que a cada ano que passa contribui para o aumento de seu extermínio e exploração.

Mulheres contra Bolsonaro e pelo socialismo!

 

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