Nota de solidariedade: Todo apoio à mobilização dos trabalhadores do HU USP

Renata Paradizo

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Na região metropolitana de São Paulo, a taxa de ocupação de leitos de UTI de hospitais públicos já beira os 90%[1] em decorrência à pandemia do coronavírus. Em nível estadual, já foram registrados mais de 30 mil casos da doença. A única medida que há contra o avanço da covid19 no momento é o isolamento social, entretanto, essa não é uma opção para muitos trabalhadores que continuam sendo obrigados a manter a produção, mesmo em atividades não essenciais, para os milhões de informais, além dos trabalhadores da área da saúde. Estes, além de estarem na linha de frente contra o vírus, acabam ficando numa posição muito mais vulnerável, ou seja, com risco maior de contaminação. Especialmente os trabalhadores do Hospital Universitário da USP, que atende à região do Butantã, na capital paulista.

Não é nenhuma novidade o sucateamento de serviços públicos. Tal como ano passado houve grandes cortes na educação e pesquisa, a área da saúde é outra que vem sofrendo ataques tanto a nível estadual quanto a nível federal. O HU da USP não está fora desta realidade, a crise do covid19 apenas agravou um quadro de sucateamento preexistente.

Desde o começo da luta contra o coronavírus, a administração do hospital restringiu a quantidade de máscaras cirúrgicas que profissionais da saúde poderiam usar por dia. O ideal seria trocá-la a cada 2h, porém, apenas podem usar uma por dia.[2] Há relatos também de falta de outros EPI´s (toucas descartáveis, aventais impermeáveis descartáveis e óculos para proteção), os quais são materiais indispensáveis ao atendimento a contaminados. Portanto, profissionais da área da saúde e seus familiares são postos em situação vulnerabilidade em relação ao coronavírus. O HU também não está realizando testes em funcionários que apresentem sintomas de covid19 nem os afastando aqueles que pertencem a grupos considerados de risco à doença.

Diante deste cenário, a Liberdade e Luta vem prestar apoio à mobilização dos trabalhadores do Hospital Universitário, que se manifestaram ontem (04/05) e há duas semanas (23/04). Pela garantia de condições seguras de trabalho, liberação dos funcionários pertencentes a grupos de risco, testagem de trabalhadores com casos suspeitos e contratação emergencial de profissionais de saúde.

 

Renata Paradizo é estudante de Letras na USP e militante da Liberdade e Luta

[1]             https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2020/05/04/com-uti-lotada-hospital-das-clinicas-de-sp-abre-100-novos-leitos-para-para-pacientes-graves-com-covid-19.ghtml

[2]             https://ponte.org/funcionarios-do-hospital-da-usp-denunciam-falta-de-equipamentos-de-protecao-contra-covid-19/

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