Greve nacional dos entregadores em 01/07 aponta o caminho para a classe trabalhadora! Não temos nada a perder a não ser os nossos grilhões!

Lucas Mendes
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                                                                              FOTO: Brasil 247

No início do século 19 os trabalhadores eram submetidos às mais duras formas de opressão, longas jornadas de trabalho, trabalho infantil, não tinham previdência e os salários eram baixos, correspondente às necessidades de lucro dos grandes donos dos meios de produção. Em 2020, 200 anos depois, essas opressões podem ser vistas novamente devido a crise estrutural do sistema capitalista. Essa crise, que foi aprofundada pelo coronavírus, é a clássica crise de superprodução do capitalismo que vem da queda na taxa de lucro. O capital financeiro só “investe” na produção industrial (que é responsável pela fabricação das mercadorias comprando a força de trabalho dos trabalhadores) onde tem maior possibilidade de lucro, assim os países que têm interesse em investimento  tem que apertar cada vez mais as condições de trabalho para que seja “barato” para os investidores internacionais e banqueiros investir.

Uma forma de baratear o valor da produção é trocar a mão de obra dos trabalhadores por máquinas, o que chamamos de troca do capital variável pelo capital constante, porém o lucro desses investidores vem do consumo, quando as mercadorias que despejam no mercado são compradas, e se a população não recebe um salário não tem como  esse lucro ser realizado, isso faz com que se aprofunde cada vez mais a crise. Mas a classe dominante encontra formas de explorar a população. Estas formas  surgem com o desenvolvimento da tecnologia, exemplo são os motoristas e entregadores por aplicativos como: Uber, Ubereats, Rappi, iFood, Loggi, James etc. Muitos desses trabalhadores são envenenados com a ideologia do empreendedorismo, que nada mais é que uma nova forma do capitalismo enganar a classe trabalhadora, para continuar explorando.

Essa ideologia vil do empreendedorismo faz com que os trabalhadores acreditem que são seus próprios patrões ou que não tem patrões e vão competir entre si para que um em um milhão possa enriquecer e explorar os outros que não “se esforçaram o suficiente” . Se olharmos para os “patrões de si mesmos” que usam os aplicativos de entrega para trabalhar, muitos deles são mais explorados do que os operários no chão de fábrica e são submetidos a uma gigantesca jornada de trabalho, para ganhar por entrega, sem final de semana, sob sol ou chuva e, muitas vezes, sem ter inclusive o próprio meio de locomoção.

Esse mercado de entrega por aplicativos cresceu certa de 30% durante o período da pandemia, o que significa que o numero de entregadores também aumentou, pois a taxa de desemprego na Brasil é de cerca d 12,6% e a taxa de trabalho informal é a maior  que 41%, então os trabalhadores tem que escolher entre passar fome ou trabalhar em condições de degradação da vida humana nessas plataformas de entrega. Como Engels já observava no século 19, o desemprego é estrutural para que os capitalistas mantenham os salários baixos correspondente as suas necessidades. Ou seja, se os trabalhadores não quiserem o emprego nessas condições desumanas “tem que quem queira”.

Relatos indicam que os aplicativos ficam com até 30% da valor do pedido no aplicativo mais uma parte da entrega. Relatos dos trabalhadores de aplicativos também indicam que o  “salário” médio de quem trabalha 12 horas por dia é de cerca R$996, ou seja, menos que um salário mínimo. Além do mais, o aplicativo não fornece nenhum equipamento para o trabalho, nenhum tipo vínculo trabalhista, o que faz com o empregado não tenha qualquer direito nem segurança no trabalho,  tirando a responsabilidade da empresa caso aconteça algo.

Com o coronavírus, os entregadores ficaram mais expostos ao vírus, são trabalhadores essenciais, trabalham para entregar a alimentação de outros trabalhadores e mesmo assim não tem direito a almoço por parte dos restaurantes e, trabalhando por entrega, o tempo de almoço e descanso é totalmente limitado.  Se não trabalham mesmo nessas condições não têm como viver, mesmo assim os aplicativos não fornecem álcool em gel nem lugares para higienização das motos, bicicletas e dos equipamentos. Além disso muitos relatam que menores de idade tem trabalhado nos aplicativos. Por esses e outros motivos os trabalhadores desse setor estão organizando a primeira greve nacional da categoria no próximo dia 01 de julho, reivindicando aumento no valor da taxa mínima de entrega, seguro de vida, cobertura contra roubos e acidentes e um voucher para a compra de equipamentos de segurança individual. Essa greve deve ser geral, pois se não paramos por uma quarentena devemos parar pela revolução. A hora de todos os trabalhadores se unirem para a derrubada do capitalismo é urgente e necessária. Marx e Engels apontaram no Manifesto Comunista que os trabalhadores não têm nada a perder a não ser os seus grilhões, mas têm um mundo a ganhar! 200 anos depois as palavras finais do Manifesto ecoam para apontar o caminho da luta dos entregadores, dos trabalhadores e da juventude: Trabalhadores do Mundo: Uni-vos!  

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