Para a conferência da Liga da Juventude Socialista

Leon Trotski

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Esta é uma carta que foi escrita por Leon Trotski em 1938 para a conferência da Liga da Juventude Socialista, uma organização de jovens trabalhadores do Partido Socialista dos EUA. Na carta, Trotski destaca a importância da teoria revolucionária para combater o oportunismo e sectarismo, além de falar da importância da juventude no partido revolucionário.

Introdução de Jonathan Vitório.

Um partido revolucionário deve, necessariamente, basear-se na juventude. Mais além, pode-se dizer que o caráter revolucionário de um partido pode ser julgado, em princípio, pela sua capacidade de atrair para suas fileiras a juventude trabalhadora. E o atributo fundamental da juventude socialista – e aqui me refiro à juventude genuína e não aos velhos de vinte anos de idade – está em sua disposição para se entregar total e completamente à causa do socialismo. Sem sacrifício pessoal heroico, coragem e determinação a história de modo geral não segue adiante.

Mas o sacrifício pessoal por si só não é suficiente. É necessário ter um entendimento claro do curso dos acontecimentos e dos métodos adequados de ação. Isso só pode ser obtido através da teoria e da experiência. O mais ardente entusiasmo logo se esfria e evapora se a tempo não encontra apoio em um entendimento das leis do desenvolvimento histórico. Quantas vezes não observamos como jovens entusiastas, após baterem com a cabeça, se tornam sábios oportunistas, como ultra-esquerdistas frustrados se transformam rapidamente em burocratas conservadores, assim como um fora-da-lei sossega e se transforma em um excelente homem da lei. Adquirir conhecimento e experiência ao mesmo tempo em que não se deixa dissipar o espírito de luta, o sacrifício pessoal revolucionário e a determinação para ir até o fim – eis a tarefa da formação e da autoeducação da juventude revolucionária.

A intransigência revolucionária é uma qualidade preciosa desde que seja direcionada contra a adaptação oportunista à burguesia, contra a fraqueza teórica e contras as vacilações covardes de todos os tipos por parte de oficiais e oradores comunistas e socialistas do tipo de Browder, Norman Thomas, Lovestone e similares. Mas a “intransigência” se transforma em seu oposto quando serve apenas como consolação idealista a sectários e confucionistas por sua incapacidade de se conectar às massas.

Lealdade ideológica é a qualidade indispensável e fundamental do verdadeiro revolucionário. Mas ai daquele que transforma tal “lealdade” em teimosia doutrinária, em repetição de fórmulas prontas e genéricas incapazes de dar atenção à vida e atender suas necessidades. A política marxista genuína significa levar as ideias da revolução proletária para massas cada vez mais amplas, através de combinações de condições históricas em constante mudança, sempre novas e muitas vezes inesperadas.

O maior inimigo dentro das fileiras do proletariado continua, é claro, a ser o oportunismo, especialmente sua forma mais vil e perversa – o stalinismo, essa sífilis do movimento operário. Mas para uma luta vitoriosa contra o oportunismo é essencial darmos cabo dos vícios do sectarismo e das fraseologias pedantes em nossas fileiras. A história da Quarta Internacional, incluindo a seção dos Estados Unidos, nos forneceu muitas lições nesse sentido; precisamos entendê-las e aplicá-las. Os antigos gregos costumavam fazer desfilar hilotas bêbados a fim de afastar a juventude do alcoolismo. Todos os Oehlers, Fields, Vereeckens e companhia são os hilotas sectários que executam suas caretas e acrobacias como se tivessem o objetivo específico de afastar a juventude do estéril e tedioso sectarismo.

Mantem-se a esperança de que a próxima conferência da Liga se torne um estágio importante no caminho da aquisição de experiência política sobre as bases firmes do programa marxista. Somente sob essa condição poderá ser assegurado o destino do grande movimento histórico do qual a Liga da Juventude é uma das frações mais avançadas.

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