MANIFESTO E MOÇÃO DOS ESTUDANTES DA FEA-PUCSP PELA GARANTIA DAS CONDIÇÕES DE ESTUDO E TRABALHO, CONTRA A EVASÃO E POR EDUCAÇÃO PÚBLICA, GRATUITA E PARA TODOS!

Comitê de estudantes da PUCSP por Fora Bolsonaro

arte

  1. O capitalismo é um sistema econômico carregado de contradições. Por um lado, vemos uma imensa pilha de riqueza, um enorme desenvolvimento da tecnologia e da indústria e, por outro, milhões de seres humanos que, diante da miséria crescente, são forçados a manter péssimos hábitos alimentares e higiênicos. No entanto, para um sistema que produz tamanha riqueza, uma forma elementar de vida tão elementar, como um vírus, não deveria ser problema dessa magnitude. Mesmo assim, a única forma de conter a propagação do vírus que pode oferecer esse sistema é o isolamento social, da qual somos favoráveis como estudantes e trabalhadores. 
  2. O governo Bolsonaro como um bom lacaio do imperialismo norte-americano não tem nenhum plano emergencial para a saúde, nem mesmo para a educação. O Ministério da Saúde, depois da segunda troca de peças e em plena a pandemia, permanece sem ministro desde o dia 15 de Maio. No Ministério da Educação, o terceiro ministro é nomeado, enquanto Abraham Weintraub sai praticamente fugindo do Brasil diretamente para o Banco Mundial. A troca de peças no governo Bolsonaro demonstra sua fragilidade e mostra como nenhuma troca pode melhorar nossa situação. É preciso por esse governo inteiro a abaixo!  
  3. Desde a segunda quinzena de março, a PUC-SP, por meio de sua reitoria e mantenedora (Fundasp), suspendeu as atividades presenciais e assim vem fazendo desde então, através de comunicados que prorrogam a suspensão de tempos em tempos. No entanto, o calendário da universidade foi mantido pela sua reitoria, sem que houvesse o mínimo preparo da comunidade acadêmica e sem garantir que todos tenham acesso às aulas, devido à falta de condições. Isso está impondo uma responsabilização individual de professores e estudantes pelo cumprimento do calendário.
  4. É comum encontrar relatos de professores que não conseguem utilizar o Teams (plataforma fornecida pela universidade), que utilizam uma variedade de outras plataformas, inclusive aulas gravadas no YouTube, professores que, sem conseguir entender o funcionamento da plataforma, deram aula por mensagem de texto e assim por diante. Aqui não se trata de uma responsabilização dos professores e sim da própria universidade que manteve o calendário, sem qualquer tipo de instrução prévia ao corpo docente. Naturalmente, isso impõe um estresse e sobrecarga de trabalho aos professores que precisam correr com conteúdo e prestar contas de diversas maneiras, aumentando o controle da instituição sobre seu trabalho.
  5. Por outro lado, nenhum tipo de e-mail ou consulta foi feita junto aos estudantes consultando-os sobre suas condições materiais para atender às aulas remotas, principalmente os bolsistas. E se isso aconteceu, não alcançou a todos os bolsistas, que dirá os demais. É comum relatos de estudantes que não tem computador ou tablet ou que não têm conexão wi-fi em casa e precisam pagar a mais do próprio bolso pacotes de internet que não são suficientes para assistir uma semana de aula.
  6. Outro aspecto importante é que devido a redução do tempo de deslocamento para se chegar as aulas, há o entendimento de que temos mais tempo livre, o que é um engano. O suposto tempo livre é engolido pelo home office que aumentou cerca de 30% a carga de trabalho e pelas tarefas e problemas ligados ao convívio familiar.
  7. Mais gritante do que isso, um verdadeiro roubo está sendo praticado aos estudantes e famílias que continuam pagando integralmente suas mensalidades, sem utilizar a estrutura física da universidade e sem qualquer tipo de apoio estrutural dela para garantir que as aulas sejam ministradas para todos!
  8. A pandemia está impondo uma sobrecarga enorme para os estudantes e trabalhadores que, demitidos ou com seus ofícios suspensos, encontram-se sem renda entrando mensalmente. Isso está levando a que muitos estudantes das universidades privadas sejam obrigados a trancar seus cursos. A consequência disso será uma elevação ainda mais maior nas mensalidades, impossibilitando que tantos outros continuem a pagar, para que a quantidade reduzida de estudantes seja suficiente para pagar os superávits das universidades e a PUCSP está incluída nisso. Aliás, é assim que a PUC tem se mantido nos últimos anos: elitização.
  9. Defendemos o direito a educação pública, gratuita e de qualidade para todos. Em tempos de pandemia e nas universidades privadas isso passa pela exigência das garantias de estudo e trabalho para todos, estudantes e professores. Computadores, tablets, internet e todo tipo de material de apoio devem ser fornecidos aos estudantes e professores pelas mantenedoras das universidades privadas e enquanto isso não for garantido as mensalidades devem ser suspensas, sem prejuízo dos salários dos professores e funcionários, incluindo os terceirizados! Os estudantes e trabalhadores não devem pagar por essa crise!
  10. Se a PUCSP e sua mantenedora, a FUNDASP, não podem atender a comunidade nesse momento tão delicado, impedindo a evasão de estudantes e garantias de estudo e trabalho para todos, a PUCSP deve ser entregue ao poder público por meio de sua federalização para se somar à luta por todo dinheiro necessário à educação e a ciência e pela derrubada do governo Bolsonaro, que já demonstrou ser inimigo da educação, dos estudantes e trabalhadores!
  11. Envie sua moção contra a evasão e por garantia de estudo e trabalho para todos e por educação pública, gratuita e para todos!

Sugerimos o seguinte título para o e-mail: MOÇÃO CONTRA A EVASÃO, POR GARANTIA DE ESTUDO E TRABALHO E POR EDUCAÇÃO PÚBLICA, GRATUITA E PARA TODOS

Sugerimos que as moções sejam enviadas para os seguintes e-mails: fundacaosaopaulo@pucsp.br; reitoria@pucsp.br; estudantesporforabolsonaro@gmail.com

O primeiro e-mail é da mantenedora da PUCSP, a FUNDASP, o segundo é da reitoria e o terceiro é o e-mail do comitê de estudantes da PUC por Fora Bolsonaro, que está organizando esta moção e manifesto.

Sugerimos o seguinte texto para o corpo do e-mail:

Desde março a PUCSP encontra-se realizando suas atividades de maneira remota devido a pandemia do corona vírus. Muitos estudantes não têm condições de estudo em casa, não têm internet adequada, computadores ou tablets e não conseguem participar plenamente das aulas, atividades e trabalhos. Além disso, muitos estudantes perderam suas rendas ou encontram-se com a renda reduzida, o que está levando a trancarem seus cursos ou mesmo desistir da graduação. Os professores estão enfrentando sobrecarga de trabalho e stress. Não aceitaremos que nenhum estudante ou professor seja prejudicado. Exigimos uma resposta da PUCSP frente a evasão e a garantia de condições de estudo e trabalho para todos!

  • Nenhum estudante deve ser reprovado por falta!
  • Nenhum estudante que não tenha entregado trabalho por falta de condições deve ser prejudicado!
  • Internet, computadores e tablets devem ser fornecidos pela PUCSP a todos os estudantes que precisarem!
  • Não a sobrecarga de trabalho! Condições de trabalho aos professores!
  • Não a demissão dos funcionários, incluindo os terceirizados!
  • Suspensão das mensalidades contra a evasão!
  • Verbas públicas para educação pública! Federalização da PUCSP!  Fora FUNDASP! 
  • Educação pública, gratuita e de qualidade para todos! FORA BOLSONARO!
Data post