Todo apoio à greve dos Correios

Fernando Leal
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                                                                    FOTO: Agência Sindical

Os trabalhadores dos Correios se juntam a outras categorias que voltaram a entrar em movimento para enfrentar os ataques do governo Bolsonaro e da classe dominante em plena pandemia.

A greve iniciou na terça-feira, 18 de agosto, e tem como principal pauta a defesa de seu acordo coletivo de trabalho (ACT). A patronal quer, na prática, acabar com o acordo coletivo dos trabalhadores, reduzindo ou retirando 70 das 79 cláusulas do ACT. São ataques profundos à sua remuneração e direitos conquistados ao longo de muitos anos – por exemplo, o direito à creche para seus filhos. Também querem impor uma maior participação dos trabalhadores no custeio no plano de saúde, dentre outros ataques.

O ACT de 2019 foi assinado com validade de dois anos, mas a direção dos Correios não quer esperar 2021 e apelou ao Supremo Tribunal Federal (STF) para recomeçar seu ataque.  O apelo foi acatado nesta sexta-feira, 21/8, derrubando a decisão do Tribunal Superior do Trabalho (TST) – que validava o ACT por dois anos – e impõe nova rodada de negociações, com data base em setembro de 2020.

A decisão revoltou os trabalhadores, que decidiram por manter a greve. A greve conta com a adesão de 70% da categoria, envolvendo cerca de 35 mil trabalhadores em todo Brasil, segundo a Federação Nacional dos trabalhadores da ECT (FENTECT). As mobilizações devem aumentar na próxima semana.

É preciso lembrar que milhares de carteiros e agentes administrativos estão expostos à contaminação pelo coronavírus, pois não tiveram direito ao isolamento social e a direção dos Correios não ofereceu condições sanitárias adequadas para o retorno ao trabalho, segundo a FENTECT. Esses trabalhadores se expõem nas agências e postos dos Correios, nas ruas ao entregar as encomendas e também no transporte público para chegar em seu local de trabalho.

A FENTECT estima que cerca de 70 a 100 trabalhadores dos Correios morreram devido à Covid-19, trata-se de uma estimativa, pois a direção dos Correios se recusa a revelar o número de trabalhadores infectados e mortos para não “prejudicar” a imagem da empresa. 

Esta luta não trata apenas da defesa dos salários e das condições de trabalho, mas é uma luta contra a privatização dos Correios. Defender o ACT é defender os Correios como empresa estatal, pois quanto maior for o número de cláusulas retiradas, mais interessante se torna a compra desta empresa estatal por alguma empresa privada deste ramo. Somente os Correios chegam a todos os rincões do país e sua venda pode significar o cancelamento de rotas que não são lucrativas.

Tanto os trabalhadores dos Correios, como os metroviários de São Paulo, os trabalhadores da Renault do Paraná e diversas categorias pelo Brasil ensaiam a reação aos ataques, que já estão sendo deferidos e se intensificarão no mundo pós pandemia. Os trabalhadores não vão pagar pela crise do sistema capitalista. Os trabalhadores estão entrando em movimento em muitos países e no Brasil não será diferente.

Todo apoio à greve dos Correios!

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