Retorno às aulas: o descaso com a vida dos estudantes e trabalhadores da Educação

Evandro Santana
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                                                                        Foto: Fernando Madeira

Desde que o governador Renato Casagrande (PSB) anunciou o retorno das aulas no Estado do Espírito Santo, os trabalhadores da Educação e a Comunidade Escolar têm mostrado apreensão e medo. Esse retorno é anunciado em um contexto no qual não se tem a pandemia de Covid-19 sob controle, o que causou ainda mais indignação.

Apesar de a comunidade escolar e famílias terem manifestado apoio ao não retorno às aulas presenciais sem que existam condições adequadas de segurança, o governo do estado, numa postura autoritária e irresponsável, decidiu abrir as escolas, recusando-se a ouvir a população e os trabalhadores da Educação.

No dia 16 de outubro, as aulas presenciais retornaram, e, apesar de todo investimento em propaganda sobre o quanto a população está satisfeita e o quão segura estão as escolas, a verdade é que o retorno foi um verdadeiro fiasco. A maioria das escolas está recebendo pouquíssimos alunos e não é raro encontrar dias em que as escolas não recebem nenhum aluno.

Dois problemas podem ser apontados nessa decisão de retomar as aulas presenciais. Um deles é um termo que o governo obrigou os pais a assinarem: muitos pais viram nesse termo uma forma do Estado se isentar de sua responsabilidade, que é a de oferecer segurança mínima às crianças e jovens que frequentam as escolas da rede estadual.

Outro problema é a promessa de haver protocolos rígidos nas escolas. A verdade é que muitos desses protocolos acabam não sendo cumpridos. Já começa com a prometida testagem em massa de todos os profissionais da Educação, que não aconteceu.

Devemos ainda estacar que, mesmo com a baixíssima adesão à retomada das aulas presenciais, o que a Comunidade Escolar e os profissionais de Educação temiam está se verificando. Os casos de Covid-19 entre professores e outros profissionais da Educação dispararam no Espírito Santo. No município de Serra, por exemplo, existem mais de 43 casos confirmados. Vale ressaltar que esse número pode ser maior, visto que a subnotificação é uma realidade. Muitas pessoas procuram as unidades de saúde e não são testadas por não se enquadrarem no grupo de risco, de acordo com algumas orientações.

Não temos sequer um mês de retorno e já temos algumas escolas fechadas no Espírito Santo por conta da contaminação. Uma dessas escolas está localizada em São Roque do Canaã, noroeste do estado, e outras duas da região metropolitana. Outras escolas têm mostrados casos de Covid-19, porém continuam suas atividades. Os protocolos elaborados pelas Secretarias de Saúde e da Educação colocam situações que dificultam o fechamento das unidades de ensino, o que na verdade deixa a Comunidade Escolar ainda mais vulnerável. Após o retorno das atividades presenciais, já foram identificados 648 novas infecções entre alunos e professores, uma das quais resultou no falecimento da professora Leandra Gonçalves.

Diante de tal quadro preocupante, vemos a omissão do sindicato, que se limita a fazer notas de repúdio e entrar na justiça contra o Estado. Há de se ressaltar que o Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Espírito Santo (Sindiupes) também não aceita articular a classe de trabalhadores da Educação para uma greve sanitária, de forma a preservar a categoria. O jogo que as lideranças sindicais fazem na verdade vai ao encontro aos interesses do governo estadual, federal e dos grupos empresariais na retomada das aulas presenciais, mesmo que isso custe vidas.

Os Educadores Pelo Socialismo, diante desse quadro, reafirmam a posição de que é preciso lutar urgentemente pela paralisação das atividades presenciais até que as escolas tenham plena condição de funcionamento, e isso hoje só é possível com a vacina. Ratificamos a necessidade realizar uma greve de estudantes e professores que tenha por objetivo a preservação da própria vida e a luta por educação pública, gratuita e para todos.

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