A direita não é aliada dos estudantes! Relato crítico da abertura do CONUNE Extraordinário

Mayara Colzani

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Atual presidente da UNE Iago Montalvão na abertura do Conune Extraordinário

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Ontem a noite (14/07), aconteceu o ato político de abertura do Congresso Extraordinário da União Nacional dos Estudantes (UNE). A mesa da abertura chamada “Contra os cortes o Brasil se une pela educação, ciência e pela urgente recomposição orçamentária”  foi  aberta pelo atual presidente, Iago Montalvão (UJS), que começou lendo uma carta contra os cortes na educação e que tem como fundo a retirada dos cortes e o aumento do teto das verbas para a educação. A proposta é que essa carta seja assinada por todos os informantes e que seja aprovada como um manifesto para direcionar a luta no próximo período. 

A direção da UNE não apresentou em nenhum momento a defesa da educação pública, gratuita e para todos, bandeira histórica que faz parte de sua carta de fundação. Em seu lugar aparece a todo momento a defesa da educação pública e de qualidade. Mas pouco se fala sobre o que é a “qualidade” em cada universidade e como mobilizar e organizar os estudantes por ela. Nossa luta não é por uma simples recomposição orçamentária, é por todo dinheiro necessário à educação e ciência! Existe dinheiro para isso, mas ele tem sido usado para pagar a dívida pública, interna e externa, que já foi paga várias vezes! É um verdadeiro assalto ao dinheiro público!  

Exigimos a revogação da EC 95 que congelou os investimentos em saúde e educação, mas apenas a sua revogação não é suficiente! A educação pública tem perdido recursos ano após ano, governo após governo, em todos os níveis. Os níveis de sucateamento da educação são gritantes e a pandemia apenas aprofundou esse cenário, ampliando as desigualdades e excluindo cada vez mais jovens do sonho da universidade. A Liberdade e Luta defende a educação pública, gratuita e para todos e para isso é necessário o investimento de todo o dinheiro necessário à educação, sem atrelar à porcentagens do PIB, TODO dinheiro que for necessário para a educação ser pública, gratuita e de acesso universal! Exigimos a revogação do Orçamento 2021 que retirou verbas da educação, saúde e aumentou verbas para a repressão! Exigimos o fim do pagamento da dívida pública! 

A abertura contou com falas de diretores e ex-presidentes da UNE, entidades, sindicatos, parlamentares e movimentos sociais e artistas. Contudo, o discurso da “ampla unidade” para enfrentar o “fascismo” e pelo Fora Bolsonaro se mostrou como a participação de partidos da direita, como MDB, PSB e PDT, que nada têm a ver com luta dos estudantes e dos trabalhadores e que, na verdade, são nossos inimigos de classe! A maioria deles inclusive foi responsável pela aprovação da EC 95 do teto dos gastos.  Ter esses sujeitos na entidade dos estudantes é uma verdadeira afronta aos estudantes que tanto lutaram contra a aprovação dessa EC e contra todos os ataques à educação. Eles não estão no mesmo lado que o nosso da história, pelo contrário, aprofundam os ataques aos jovens e trabalhadores. É apenas com independência de classe que podemos fortalecer nossas entidades e fazer um enfrentamento real ao governo Bolsonaro e ao capitalismo. 

asxaeUm aspecto organizativo não menos importante trata-se de “briga de torcidas” que está acontecendo no chat. Nos congressos presenciais, essa briga de torcidas se dava pelo barulho das baterias, impedindo que pudéssemos nos ouvir e pudéssemos debater plenamente. Agora essa briga de torcida acontece nos chats do YouTube que impedem os estudantes de realmente participar, se expressando e sendo lidos pelo chat. As listas de presença, essenciais para ter acesso ao certificado de participação, não conseguem ser encontradas devido ao volume de mensagens repetidas que cada organização lança desenfreadamente. Houve até o comentário de um estudante “qual a importância desses comentários repetidos? não da nem pra ver o chat :(“ 

O método de “briga de torcidas” era bastante utilizado pela direção majoritária, mas paulatinamente foi sendo adotada pela Oposição de Esquerda, lamentavelmente. Nesse congresso virtual, apenas a forma mudou, mas segue se aprofundando nos métodos burocráticos e de “festa”, que impedem o debate político das ideias. 

A Liberdade e Luta está participando pela base,  fazendo uma cobertura crítica das mesas do congresso, apresentando  nossas análises sobre cada um dos temas das mesas dos ciclos de debate e também apresentando nossas próprias contribuições sobre Conjuntura, Movimento Estudantil e Educação. Leia, assine e junte-se à nós! 

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*Mayara Colzani é estudante de medicina veterinária na UNISOCIESC

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