UDESC Fica, Bolsonaro Sai! Por um CCT Público, Gratuito e para Todos!

Liberdade e Luta - UDESC/CCT Joinville
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A Universidade do Estado de Santa Catarina tem sua origem a partir do Decreto Estadual n°2.802, de 20 de maio de 1965, no qual determinou a fundação da então chamada Universidade para o Desenvolvimento do Estado de Santa Catarina. Tal decreto, sob o primeiro ano de Ditadura Civil-Militar, nada mais foi que a unidade da Faculdade de Educação (Faed) e da Escola Superior da Administração e Gerência (Esag), de 1963 e 1964, respectivamente. Estes espaços de ensino situavam-se na capital catarinense, Florianópolis, porém, o mesmo decreto também serviu para a unificação com a Faculdade de Engenharia de Joinville (FEJ), essa mais antiga, de 1956. Nas décadas seguintes, outros decretos foram sendo instaurados, abrindo locais para o ensino superior, com um reflexo do desenvolvimento histórico do estado. 

A grande transformação da UDESC ocorreu em 1990, quando desvinculada da Fundação Educacional de Santa Catarina (Fesc) e passando a ser reconhecida como Universidade pelo Ministério da Educação. Esta chancela ministerial possibilitou a criação da Fundação Universidade do Estado de Santa Catarina, o que significava a conquista da educação pública, tornando o ensino integralmente gratuito. Assim, podemos conhecer um pouco da história e da importância da luta por um Centro de Ciências e Tecnologia (CCT) UDESC Joinville público, gratuito e para todos! 

CCT-UDESC Joinville

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É inegável a importância da Faculdade de Engenharia de Joinville (FEJ) para o surgimento da UDESC. É justamente da FEJ que se origina o Centro de Ciências e Tecnologias (CCT) de Joinville, o atual campus da UDESC, nesta que é a mais populosa cidade do estado. A FEJ foi a primeira faculdade no interior do estado, justamente porque Joinville possuía o maior desenvolvimento industrial de Santa Catarina. Contudo, apesar de fundada por um decreto estadual de 1956, as atividades do CCT, integrado aos polos da capital, iniciaram em 1965 com o curso de Engenharia de Operação, na modalidade Mecânica de Máquinas e Motores. A história do trabalho em Joinville nos ensina que cursos como estes, especialmente nas décadas de 1970 e 1980, eram realizados, especialmente, pelos trabalhadores demitidos das fábricas locais e/ou multinacionais, devido a bolha de desemprego na cidade com a chamada desverticalização da produção, isto é, a substituição da força de trabalho humana por máquinas modernas, barateando os custos finais para a burguesia industrial. Estes trabalhadores usavam seu conhecimento prévio, aliado com a formação acadêmica quando possível, para a abertura de suas pequenas fábricas de “fundo de quintal”, que produziam de maneira terceirizada algumas peças para os grandes meios produtivos.

Este espaço da FEJ era um prédio nas proximidades do centro de Joinville, que só foi substituído em 1977 com a mudança para o terreno do atual campus universitário Professor Avelino Marcante. Ele foi adquirido pelo governo catarinense em 1969 e possuía quatro blocos, três pavimentos e mais três terrenos. Estes espaços eram ocupados por administração, laboratórios de física, química e eletrotécnica, salas de projeções, biblioteca e salas de aula e desenho. Além destas utilizadas, também abrigava depósitos, salas de impressão e do Diretório Acadêmico, entre outras oficinas e instalações. 

A relação público-privado da faculdade de engenharia era explícita, a partir dos convênios com a Escola Técnica Tupy, mantida pela Fundição Tupy, uma das maiores metalúrgicas do mundo, que, em meio a pandemia, atingiu um sua maior receita líquida da história no segundo trimestre de 2021: R$ 1,6 bilhão, enquanto seus trabalhadores, os geradores da riqueza, recebem um salário médio de menos de R$ 2 mil ao mês. A FEJ, além da parceria com a Tupy, também possuía ligações com SENAI para as instalações de usinagem e montagem de máquinas. Isso expressa as razões de, até nossos dias, o polo joinvilense da UDESC oferecer somente cursos ligados à produção e/ou docência destas áreas.

Com esta história, o Centro de Ciências Tecnológicas (CCT) foi inaugurado em 1979, na zona industrial de Joinville, transformado em UDESC a partir do processo já explicado, em 1990. Atualmente, cerca de 3 mil alunos estudam nove cursos de graduação: Engenharia Elétrica, Engenharia Civil, Engenharia Mecânica, Engenharia de Produção e Sistemas, Ciência da Computação, Tecnologia em Sistemas de Informação e Licenciatura em Física, Licenciatura em Matemática e Licenciatura em Química. Além de dez mestrados: Ciência e Engenharia de Materiais, Computação Aplicada, Engenharia Civil, Engenharia Elétrica Acadêmico, Engenharia Elétrica Profissional, Engenharia Mecânica, Física, Matemática e Química Aplicada, além de dois doutorados: Ciências e Engenharia de Materiais e Engenharia Elétrica Acadêmico.

Universidades Ficam, Bolsonaro Sai!

Acompanhado da formação no campus, os estudantes e os trabalhadores em educação também lutaram pelas atividades de pesquisa e extensão na UDESC. São projetos fundamentais que integram e socializam as produções científicas para a cidade, ofertados, por exemplo, nas escolas públicas. Entretanto, os estudantes sabem o quanto precisam se manifestar para assegurar a realização não apenas destas iniciativas, mas de todo o funcionamento da universidade contra os ataques dos governos estadual e federal. Trata-se de um reflexo da crise e da decadência histórica do apodrecido modo de produção capitalista. 

A frequente organização estudantil dos graduandos e trabalhadores da UDESC é uma demonstração da força que temos. Também demonstra a necessidade da permanente sentinela para que sigamos com o pouco que temos, mas, principalmente, para que consigamos ampliar as conquistas da educação. Não basta que ela seja pública e gratuita, ela deve ser para todos, sem o segregador e criminoso vestibular. 

Contudo, ao contrário disso, com a paralisia e adaptação das direções estudantis e o estágio de degradação do sistema burguês, sentimos somente os ataques dos consecutivos cortes na educação, como no exemplo da Universidade Federal do Rio de Janeiro, e o funil dos vestibulares cada vez mais apertado, pois, segundo o ministro da Educação, “Universidade não é para todos”. Ao invés de nos desanimar, estas atrocidades contra a educação devem servir como impulsionamento para nossa luta na UDESC e em todas as universidade. 

Precisamos nos organizar desde já, em defesa de um CCT público, gratuito e para todos e em solidariedade com os estudantes e trabalhadores em educação das universidades federais. Tenhamos clareza que esta pauta é uma bandeira republicana e da própria burguesia em seu tempo de classe revolucionária, mas que na fase de barbárie capitalista se transforma em ponto fundamental de um programa socialista, pois garante a universalização do ensino e demonstra a capacidade de conquistas que a juventude e os trabalhadores possuem se estiverem organizados. Assim, a garantia do funcionamento de nossos cursos, projetos e atividades, o fim do vestibular e todo o dinheiro necessário para a educação e ciência públicas fazem parte de nosso programa transitório e revolucionário, que deve ser conquistado pelas nossas mãos agora, em nossos dias. 

Para tanto, temos somente uma alternativa: nos organizarmos contra os governos a serviço do sistema capitalista, como são os de Bolsonaro e Moisés, que repassam a maior parte da riqueza produzida por nós trabalhadores para a burguesia. Enquanto isso, estes governos reduzem verbas da saúde (em meio a uma pandemia com mais de meio milhão de brasileiros mortos) e da educação (com menos de 3% do PIB). 

Por isso, convidamos todos os estudantes da UDESC a participar da Campanha “Universidades Ficam, Bolsonaro Sai” e juntar-se à Liberdade e Luta em nosso campus.

Confira o texto do manifesto da campanha, envie a moção e entre em contato conosco!

Envie sua moção!

Sugerimos que sua moção seja encaminhada seguindo as seguintes orientações:

Título do e-mail: Universidades Ficam, Bolsonaro Sai! Pela recomposição do orçamento que destine todo dinheiro necessário a educação e ciência!

E-mails para onde enviar: contato@une.org.br, sen.rodrigopacheco@senado.leg.br, presidencia@camara.leg.br, comunicacao@anpg.org.br,  souliberdadeeluta@gmail.com, cut@cut.org.br

Texto:

A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), mais antiga e maior universidade federal do país, anunciou no dia 12 de maio que corre o risco de fechar as portas na metade do ano devido à falta de verbas. Essa situação limite que assombra estudantes, professores, servidores e toda a sociedade é resultado de uma política privatista e reacionária para a educação que, em 11 anos, foi responsável por reduzir o orçamento do MEC para as universidades federais em 37%. Agora, diversas outras universidades já anunciaram fechamento ou paralisação de suas atividades.

Diante desse cenário, exigimos que o orçamento 2021 aprovado pelo Congresso que cortou recursos da saúde e educação seja revogado e exigimos a recomposição de um orçamento para impedir o fechamento das universidades federais e que destine todo o dinheiro necessário à educação e ciência! A CUT, UNE e ANPG, o movimento estudantil e sindical, devem organizar uma ampla mobilização da juventude e dos trabalhadores contra o fechamento das universidades federais, para pôr abaixo o Orçamento 2021 e o governo Bolsonaro! 

  • Universidades Ficam, Bolsonaro Sai!

  • Revogação do Orçamento 2021! Pela recomposição do orçamento que destine todo dinheiro necessário a educação e ciência!

  • Fim do pagamento da Dívida Pública! Todo dinheiro necessário à educação e à ciência, em todos os níveis!

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