A marcha dos secundas

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secundas2Dia 09 de outubro, a tarde, algo entre 3 a 5 mil estudantes secundaristas se concentravam na praça Santos Andrade, em Curitiba. Vieram protestar contra a PEC 241, que retira recursos da saúde e da educação, e contra a Reforma do Ensino Médio. O evento foi organizado pelo CWB Contra Temer, um movimento sem vínculo partidário ou político-sindical específico, que tem articulado partidos, sindicatos e coletivos em atos contrários ao governo federal.

O que mais chamou a atenção foi a presença de secundaristas das escolas públicas da região metropolitana e da periferia de Curitiba. Com o microfone do caminhão de som aberto pela organização, fizeram falas entusiasmadas e soltaram suas palavras de ordem, como “a revolução vai começar na periferia”. Durante a marcha, o agito ficou por conta de militantes vinculados a diferentes organizações estudantis e representantes da UPES/UBES, que se revezavam na tarefa. No entanto, fica evidente o quanto o movimento estudantil na capital não está institucionalizado. Boa parte dos grêmios, quando existem, não estão vinculados a esse ou aquele grupo político, e na prática, não existe uma união municipal de estudantes. O que existe é um levante muito espontâneo de jovens em defesa da escola pública, periférico e com corte de classe, que alguns já estão chamando de “Primavera Estudantil”.

As ocupas

secundas4A primeira ocupação ocorreu no Colégio Estadual Arnaldo Jansen, em São José dos Pinhais, região metropolitana, no dia 04 de outubro. Virou uma febre naquela cidade. Outras escolas foram ocupadas rapidamente. Um ato de rua organizado pela UPES/UBES e APP Sindicato, em Curitiba, no dia 05, já contava com cerca de mil estudantes. Até a Marcha Contra o Retrocesso na Educação, o número já havia saltado para 50. Um dia após a marcha, já passam de 120 escolas ocupadas, incluindo o Colégio Estadual do Paraná (CEP), a maior instituição de ensino médio do estado. E as ocupas tendem a aumentar ainda mais.

As ocupações começam a se articular entre si. Estudantes de escolas que não foram ocupadas visitam as ocupas e levam a experiência de organização para suas instituições. Doações são levadas do CEP para as escolas mais distantes. Advogados, solidários ao movimento, prestam seus serviços aos estudantes. Assim como pais, mães, responsáveis, professores e funcionários de escola.

A reação

O governo Beto Richa (PSDB), apoiado pelos grandes meios de comunicação do estado, acusa os estudantes de não saberem o motivo das ocupações, de serem massa de manobra do sindicato de professores(as), do PT, de grupos políticos. E já pediu reintegração de posse das escolas, ao mesmo tempo que corre para promover, junto com a Secretaria de Educação, debates para explicar a Reforma do Ensino Médio. O governador quer estimular um movimento civil favorável à desocupação, inclusive, para justificar o uso de força policial, se necessário.

Mas o ato de domingo mostrou como a “piazada” está afinada. Nas falas, deixavam claro que sabiam sim a pauta do movimento, para cobrir de vergonha muito professor que insiste em defender uma reforma sem recursos e que vai ampliar o fosso entre a educação privada e a pública. Mas há mais. Esses estudantes viram, no ano passado, seus educadores serem tratados violentamente no episódio que ficou conhecido como o Massacre de 29 de Abril, quando protestavam contra o saque dos seus recursos previdenciários pelo governo Richa. Os estudantes ficaram angustiados com a ameaça de fechamento de salas de aulas e escolas em uma proposta de “Reorganização” escolar no final de 2015, que foi abortada quando o governo estadual percebeu que ocupações poderiam ocorrer naquele momento, incentivadas pelo que já estava ocorrendo em São Paulo, na mesma época. Em 2016, houve protestos e ocupações temporárias em escolas parananenses contra a falta de merenda. Projetos e programas de contraturno sofreram restrições. 

secundas 3A Reforma do Ensino Médio e a PEC 241 foram a gota da água, em um copo que mistura retirada de direitos e de recursos da educação, promovidas pelos governos estadual e federal. Nesse momento, educadores(as) também se preparam para entrar em greve, já que o governo Beto Richa anunciou que não vai cumprir o acordo que encerrou de 2015. O Paraná virou um barril de pólvora.

Liberdade e Luta

Durante o ato, nossos militantes fizeram intervenções, venderam jornais e fizeram contatos para o Acampamento Revolucionário. Participamos da organização do movimento CWB Contra Temer. Apoiamos e estamos ajudando na organização de várias ocupas em escolas estaduais. No momento, pode haver um certo exagero no termo “Primavera Estudantil”. De qualquer forma, a luta de classes ganha novos ares na terra dos pinheirais.

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